Presidente uruguaio deixa partido que criticou seu veto ao aborto

Montevidéu, 4 dez (EFE).- O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, deixou o Partido Socialista, que integrava desde 1983, irritado com as críticas de parlamentares desta legenda a seu veto à lei que descrimina parcialmente o aborto.

EFE |

O vice-presidente, Rodolfo Nin Novoa, disse hoje que o presidente lhe comunicou sua saída, algo que segundo sua opinião pode "prejudicar" à coalizão de esquerda Frente Ampla, base do Governo.

Vázquez enviou na emana passada uma nota de renúncia ao secretário-geral do Partido Socialista, Eduardo Fernández, mas o tema se manteve reservado.

Diversos dos principais integrantes figuras do partido ainda tentaram convencer o presidente a desistir de sua decisão, mas fracassaram.

A saída de Vázquez é "desproporcional, um duro golpe e não se pode aceitar", afirmou a senadora socialista Mónica Xavier, uma das que apoiaram a lei de descriminação parcial do aborto.

O Congresso do Partido Socialista,de 23 de novembro, "celebrou" o fato de o Parlamento se pronunciar "favoravelmente sobre a necessidade que o país conte com um marco legal de respaldo às políticas públicas em matéria de sexualidade e reprodução".

Além disso, "lamentou profundamente o veto" à lei e manifestou "sua divergência com os fundamentos utilizados para o mesmo".

Alguns dirigentes socialistas foram ainda mais duros com o chefe de Estado e o acusaram de pôr suas crenças pessoais sobre a opinião do partido, amplamente majoritária a favor de descriminar o aborto.

Fontes próximas ao governante acrescentaram que Vázquez se incomodou também com os dirigentes do Partido Socialista porque no mesmo congresso decidiram impulsionar a candidatura presidencial do ministro da Indústria, Energia e Mineração, Daniel Martínez, para as eleições de outubro de 2009.

No Uruguai, a reeleição presidencial não é permitida e Vázquez assinalou publicamente que a melhor chapa da Frente Ampla para o próximo pleito seria formada pelo ex-ministro da Economia e Finanças Danilo Astori e pelo ex-ministro de Pecuária, Agricultura e Pesca José Mujica.

A saída de Vázquez do Partido Socialista ocorre apenas uma semana e meia antes do congresso da Frente Ampla que deve definir a candidatura dessa força para as próximas eleições. EFE jf/jp

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