Presidente uruguaio critica xenofobia contra latino-americanos

Tucumán (Argentina), 1 jul (EFE).- O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, criticou os surtos xenofóbicos que prejudicam imigrantes latino-americanos, ao se pronunciar hoje na cúpula do Mercosul em Tucumán, onde o bloco da América do Sul estuda adotar uma posição comum em relação à política da União Européia (UE) sobre imigração.

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Vázquez disse, além disso, que aprofundar a integração do Mercosul e países associados é uma questão de "sobrevivência" para enfrentar os problemas gerados pela alta dos preços internacionais do petróleo e dos alimentos.

Depois de lembrar que é neto de emigrantes espanhóis, ressaltou que fica "profundamente" chocado com os "surtos xenofóbicos e discriminações com cidadãos latino-americanos", o que, de acordo com ele, atinge "fortemente" os países da região.

"Ninguém emigra por prazer, mas por necessidade", comentou Vázquez. Para ele, a América Latina "é um enorme laboratório de pesquisa genética pelas misturas de raças e, sem dúvida, a mestiçagem será o futuro da Humanidade".

O presidente uruguaio destacou que durante o século passado, no Uruguai, "imigrantes europeus foram recebidos de braços abertos e agora eles deveriam levar em conta que o neto de imigrantes europeus muito pobres chegou a ser presidente do país".

O Parlamento Europeu aprovou em 18 de junho passado uma nova diretiva de retorno de imigrantes ilegais, que entrará em vigor em 2010 e que pode gerar a expulsão de cerca de oito milhões de imigrantes irregulares da Europa, grande parte deles latino-americanos.

O líder uruguaio, que é médico, disse que a xenofobia é uma das "patologias severas" de que a humanidade sofre, junto com "o confronto, a violência e o terrorismo".

Vázquez afirmou ainda que a alta dos preços do petróleo e os alimentos "seguirá por muito tempo", e que por isso o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela em processo de adesão), junto a seus associados, deve preparar-se para isso.

"É uma questão de sobrevivência, países maiores que os nossos desapareceram do mapa por não terem tomado a tempo medidas para sobreviver em um mundo tão complexo", advertiu o presidente uruguaio. EFE alm/rr

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