Presidente ucraniano dissolverá Parlamento se partidos não formarem coalizão

Kiev, 4 out (EFE).- O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, anunciou hoje que na próxima terça-feira iniciará as consultas sobre a dissolução da Rada Suprema (Parlamento) se os partidos do Legislativo não formarem uma nova coalizão governista.

EFE |

"Em 7 de outubro, realizarei as consultas. Trata-se de uma formalidade após a qual o presidente obtém o direito de dissolver o Parlamento", disse Yushchenko à imprensa, segundo a agência "Unian".

Yushchenko afirmou que já tem direito a dissolver o Parlamento, pois ontem fez um mês que desde que o bloco presidencial Nossa Ucrânia-Autodefesa Popular (NU-AP) rompeu a coalizão anterior com a bancada de Yulia Timoshenko (BYuT), a primeira-ministra.

No entanto, esta ruptura só foi anunciada oficialmente em 16 de setembro.

"Até 7 de outubro, dou oportunidade para todos (...) realizarem negociações como políticos responsáveis e proporem à sociedade e ao Estado uma saída para esta armadilha", disse sobre a crise atual.

A legislação ucraniana permite que o chefe de Estado dissolva o Legislativo caso os partidos com representação parlamentar não consigam formar, no prazo de 30 dias, uma coalizão governista.

A ruptura da coalizão anterior aconteceu em meio às crescentes tensões entre Yushchenko e Timoshenko, que, embora sejam aliados formalmente, são adversários nas próximas eleições presidenciais.

Embora Timoshenko se mostre disposta a fazer o possível para restabelecer a coalizão, a equipe presidencial acusa seu bloco de negociar em segredo uma aliança com os opositores e pró-russos Partido das Regiões, do ex-primeiro-ministro Viktor Yanukovich, e com o Partido Comunista.

O presidente exigiu que o BYuT cumpra em dois dias os acordos verbais para restabelecer a coalizão com o NU-AP, ou que formalize e anuncie oficialmente seus pactos com o Partido das Regiões e com os comunistas.

Yushchenko garantiu que aceitará "qualquer formato da coalizão" criado e que apresentará para a aprovação do Parlamento o candidato a primeiro-ministro que lhe for apresentado.

Por outro lado, o presidente se mostrou convencido de que eleições parlamentares extraordinárias "não trarão grandes mudanças" para a situação política no país.

"É evidente que é preciso buscar entendimento a respeito das prioridades nacionais, para as quais se forma a coalizão, em vez de protagonizar uma novela mexicana e realizar eleições antecipadas a cada 12 meses", ressaltou.

A Ucrânia realizou há um ano pleitos legislativos antecipados, depois que uma longa crise institucional obrigou Yushchenko a dissolver o Parlamento escolhido para um mandato de cinco anos em março de 2006.

Segundo todas as pesquisas, o partido de Yushchenko seria um dos grandes perdedores caso houvesse novas eleições, já que nas últimas o mesmo obteve menos votos do que as forças de sua aliada formal, Timoshenko, e de seu adversário político oficial, Yanukovich. EFE bk/fh/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG