Presidente turco faz visita histórica à Armênia e é vaiado em estádio de futebol

YEREVAN - O presidente turco, Abdullah Gul, realizou uma visita história à Armênia neste sábado, mas foi foi vaiado ao entrar no estádio de Yerevan, capital armênia, onde foi assistir a uma partida de futebol em que a seleção turca venceu por 2 a 0 a da Armênia pela fase classificatória da Copa do Mundo de 2010.

AFP |

Gul foi o primeiro chefe de Estado turco a ir à Armênia desde a independência deste país em 1991, num contexto de divergências entre as duas nações sobre a questão do genocídio armênio e de relações diplomáticas rompidas.

Em seu encontro com a imprensa, os dois presidentes disseram que existe uma "vontade política" de solucionar várias décadas de tensões e desavenças entre ambos os países vizinhos.

"Temos a vontade política de resolver as diferenças entre a Turquia e a Armênia. Espero que esta visita possa criar a possibilidade de melhorar nossas relações", destacou Gul.

"Temos a vontade de resolver as diferenças entre nossos países para não deixá-las para as gerações vindouras", disse Sarkissian em entrevista à imprensa, ao lado do presidente turco.

Após o encontro, Gul se dirigiu ao estádio para a partida entre os dois países. Ao chegar ao estádio, junto com a equipe nacional turca, foi recebido com vaias pelos torcedores, que quase lotaram as arquibancadas. Em seguida, o público também vaiou o time e o hino nacional turcos.

Contrários a esta visita, várias centenas de manifestantes formaram, em calma na manhã deste sábado, uma corrente humana em torno do aeroporto de Yerevan, constatou o jornalista da AFP no local.

Os manifestantes agitavam bandeiras armênias e bandeiras vermelhas com o emblema do partido nacionalista Dachnak Tsoutioun.

"Reconheça o genocídio. Abra as fronteiras sem condições", diziam os cartazes em inglês, turco ou armênio.

Durante a semana, comentaristas da imprensa viram nesta "diplomacia do futebol" uma oportunidade de normalizar as relações bilaterais.

Yerevan acredita que os massacres dos armênios cometidos durante o império Otomano de 1915 a 1917 deixaram até 1,5 milhão de mortos e são um genocídio, uma posição adotada por diversos países.

A Turquia rejeita categoricamente este adjetivo reconhecendo massacres após depois que os armênios pegaram as armas para criar seu Estado independente.

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