Presidente turco é vaiado no jogo Turquia x Armênia em Yerevan

O presidente turco, Abdullah Gul, foi vaiado neste sábado ao entrar no estádio de Yerevan, capital armênia, onde foi assistir a uma partida de futebol entre as seleções de Turquia e Armênia pela fase classificatória da Copa do Mundo de 2010.

AFP |

Gul entrou na cabine presidencial do estádio, protegida por um vidro reforçado, para assistir ao jogo com seu colega armênio Serge Sarkissian, na primeira visita de um chefe de Estado turco à Armênia em duas décadas de silêncio diplomático entre os dois países.

Ao chegar ao estádio, junto com a equipe nacional turca, foi recebido com vaias pelos torcedores, que quase lotaram as arquibancadas. Em seguida, o público também vaiou o time e o hino nacional turcos.

O presidente turco chegou às 14H40 no aeroporto Zvartnots e foi recebido pelo ministro armênio dos Assuntos Estrangeiros, Eduard Nalbandian, para esta visita histórica.

Pouco depois, se encontrou com o presidente armênio para um jantar. Ao final do encontro, deram uma entrevista na qual afirmaram que existe uma "vontade política" de solucionar as várias décadas de tensões e desavenças bilaterais.

"Temos a vontade política de resolver as diferenças entre a Turquia e a Armênia. Espero que esta visita possa criar a possibilidade de melhorar nossas relações", destacou Gul.

"Temos a vontade de resolver as diferenças entre nossos países para não deixá-las para as gerações vindouras", disse Sarkissian.

Contrários a esta visita, várias centenas de manifestantes formaram em calma na manhã deste sábado uma corrente humana em torno do aeroporto de Yerevan, constatou o jornalista da AFP no local.

Os manifestantes agitavam bandeiras armênias e bandeiras vermelhas com o emblema do partido nacionalista Dachnak Tsoutioun.

"Reconheça o genocídio. Abra as fronteiras sem condições", diziam os cartazes em inglês, turco ou armênio.

Durante a semana, comentaristas da imprensa viram nesta "diplomacia do futebol" uma oportunidade de normalizar as relações bilaterais.

Yerevan acredita que os massacres dos armênios cometidos durante o império Otomano de 1915 a 1917 deixaram até 1,5 milhão de mortos e são um genocídio, uma posição adotada por diversos países.

A Turquia rejeita categoricamente este adjetivo reconhecendo massacres após depois que os armênios pegaram as armas para criar seu Estado independente.

nc-ib/lm

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