Coreia do Sul abre uma 'janela' para melhorar laços com o Norte

Em discurso de ano-novo, o presidente do país convidou a Coreia do Norte a renunciar de forma incondicional às armas nucleares

iG São Paulo |

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, assegurou nesta segunda-feira em seu discurso de ano-novo que Seul abrirá uma "janela" para a melhora das relações com a nova Coreia do Norte de Kim Jong-un , informou a agência local de notícias Yonhap.

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AP
Presidente sul-coreano Lee Myung-bak faz pronunciamento de ano-novo à nação no palácio presidencial em Seul, Coreia do Sul

Lee Myung Bak também expressou sua esperança de que esse ano marque "um ponto de inflexão" na hora de resolver o assunto nuclear da Coreia do Norte mediante o reatamento das conversas de seis lados, processo orientado a frear as ambições atômicas e que está estagnado desde 2008.

As partes envolvidas nas conversas de seis lados, as duas Coreias, Estados Unidos, China, Rússia e Japão, realizaram em 2011 diversos encontros orientados a retomar o processo, mas nenhum deles acabou com acordos concretos.

Em seu discurso de ano-novo, o presidente sul-coreano convidou mais uma vez a Coreia do Norte a renunciar de forma incondicional às armas nucleares se deseja retornar ao citado sistema de diálogo multilateral, que permitiria ao país comunista negociar assistência exterior para melhorar sua economia em crise permanente.

O presidente sul-coreano também advertiu que se Pyongyang voltar a fazer provocações, Seul "responderá solidamente" a qualquer delas, em referência aos ataques à embarcação Cheonan e a ilha de Yeonpyeong de 2010, dos quais a Coreia do Sul culpa a Coreia do Norte.

"O objetivo mais importante neste momento é a paz e a estabilidade na Península Coreana", afirmou hoje Lee, em uma conjuntura regional marcada pela transferência do poder na Coreia do Norte de Kim Jong-il para seu filho mais novo, Kim Jong-un, depois da morte do líder no dia 17 de dezembro .

No domingo, os principais jornais da Coreia do Norte falaram aos cidadãos que defendessem Kim Jong-un até a morte .

Na sexta-feira, a poderosa Comissão de Defesa Nacional norte-coreana alertou o mundo para que não esperasse mudanças com a transferência de poder.

Relações tensas

Kim Jong-il governou a Coreia do Norte desde a morte de seu pai, Kim Il-sung, em 1994. O empobrecido e isolado país comunista enfrenta sucessivas crises de fome, mas realizou, desde 2006, dois testes nucleares.

Nos últimos dois anos, a relação entre as duas Coreias têm sido extremamente tensas. A decisão de Lee de colocar o desarmamento nuclear como condição para o fornecimento de ajuda irritou profundamente os norte-coreanos, piorando a situação.

A Coreia do Sul também culpa seu vizinho do norte por ter afundado um navio de guerra em março de 2010, matando 46 marinheiros. Oito meses depois, a Coreia do Norte disparou contra uma ilha na fronteira com o Sul, matando quatro pessoas.

Pyongyang nega que tenha tido participação no primeiro incidente e alega que a Coreia do Sul provocou o segundo.

Em sua mensagem de ano-novo, o regime pediu aos norte-coreanos que defendam seu novo e jovem líder. "O partido inteiro, o Exército inteiro e todas as pessoas devem ter a firme convicção que se tornarão baluartes humanos e escudos defendendo Kim Jong-un da morte", dizia a mensagem veiculada pela agência KCNA.

Kim Jong-un passou o ano-novo visitando uma divisão de tanques, segundo a mídia estatal.

Com EFE e BBC

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