Presidente sul-africano renuncia a pedido do partido no poder

O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, aceitou a decisão do partido no poder, o ANC, que pediu neste sábado sua renúncia, indicou seu porta-voz.

AFP |

"O presidente aceitou a decisão do comitê diretor do CNA", o Congresso Nacional Africano, no poder desde o fim do Apartheid em 1994, declarou o porta-voz de Mbeki, Mukoni Ratshitanga, à rádio privada 702 Talk Radio.

"Essa decisão inclui o processo parlamentar" de destituição, acrescentou Ratshitanga.

O comitê diretor do partido decidiu neste sábado "pedir ao presidente da República que renuncie antes do final de seu mandato", que expira no 2º trimestre de 2009.

O partido não tem o poder constitucional de destituir diretamente o presidente. O chefe de Estado sul-africano foi nomeado pelo Parlamento após eleições gerais.

Mbeki, de 66 anos, que sucedeu a Nelson Mandela na presidência em junho de 1999, foi acusado recentemente de ter pressionado para que a Justiça condenasse por corrupção seu adversário político e líder do CNA, Jacob Zuma.

"O CNA decidiu remover o presidente" de suas funções "antes do final de seu mandato", que expira no segundo trimestre de 2009, declarou o secretário-geral do partido, Gwede Mantashe.

"Comunicamos nossa decisão" a Mbeki, que aceitou "participar" do processo parlamentar que vai ratificar a destituição, disse Mantashe.

Segundo a 702 Talk Radio, Mbeki convocou uma reunião do governo para este domingo, para solucionar a questão.

Zuma, que no ano passado assumiu a liderança do CNA no lugar de Mbeki, é o favorito para sucedê-lo.

Mantashe destacou que a decisão do partido não é um "castigo", mas uma tentativa de "curar as feridas e unir o CNA".

Pela Constituição sul-africana, o presidente é nomeado pelo Parlamento, que é dominado pelo CNA desde as eleições de 1994, três anos após o fim do apartheid.

O centro da polêmica está na decisão judicial de 12 de setembro passado, que absolveu Zuma das acusações de corrupção e sugeriu a interferência do governo Mbeki no processo.

Zuma era acusado de 16 crimes, incluindo lavagem de dinheiro, fraude e de receber dinheiro para defender os interesses da companhia francesa Thint em uma polêmica operação de compra e venda de armas.

chp/LR

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