Johanesburgo, 19 out (EFE).- O presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, participará da reunião que será realizada amanhã na Suazilândia pelo painel de segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), que busca uma saída para a crise política no Zimbábue.

Um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores da África do Sul disse hoje que Motlanthe, presidente rotativo da SADC, será informado por seu antecessor, Thabo Mbeki, sobre as conversas entre a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e o opositor Movimento por Mudança Democrática (MDC).

Mbeki, designado pela SADC como mediador entre a Zanu-PF e o MDC, conseguiu em 15 de setembro que os partidos rivais assinassem um pacto para formar um Governo de união nacional.

O ex-presidente sul-africano afirmou ontem em Harare que as negociações para a formação desse Executivo não estão estagnadas.

No entanto, o líder da facção majoritária do MDC, Morgan Tsvangirai, se mostrou pessimista quanto ao êxito da mediação de Mbeki.

Tsvangirai admitiu que, após quatro dias de intensas negociações com o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da facção minoritária do MDC, Arthur Mutambara, não há consenso algum.

"Não chegamos a um acordo quanto à distribuição dos ministérios, e as negociações estão estagnadas", disse Tsvangirai.

O líder da oposição afirma que as conversas com Mugabe não produziram absolutamente nenhum resultado.

"Foi como uma conversa entre surdos. Mugabe é monotemático, a única coisa que diz é 'não' a todas as nossas propostas", relatou Tsvangirai em entrevista coletiva em Harare.

No diálogo, a Zanu-PF insiste em ficar com todos os ministérios estratégicos, inclusive os de Finanças, Interior (que controla a Polícia) e Justiça, o que deixaria o MDC fora das decisões do Governo.

O acordo que as partes buscam, a partir do qual Mugabe continuaria presidente e Tsvangirai assumiria como primeiro-ministro, concede a Mutambara o posto de vice-primeiro-ministro.

O Gabinete terá 31 ministérios, 15 para a Zanu-PF, 13 para a facção do MDC liderada por Tsvangirai e três para o grupo de Mutambara. EFE jm/wr/SC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.