Presidente sul-africano diz que vai renunciar

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, vai aceitar o pedido de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), para renunciar ao cargo, informou neste sábado seu porta-voz. Mukoni Ratshitanga disse que Mbeki vai deixar a presidência uma vez que todos os requerimentos constitucionais tenham sido cumpridos.

BBC Brasil |

O anúncio da renúncia foi feito um dia depois de um juiz da Suprema Corte ter sugerido que Mbeki possa ter interferido no processo de corrupção contra seu rival político, o líder do CNA, Jacob Zuma.

A expectativa na África do Sul era de que Zuma seria o candidato do partido nas próximas eleições presidenciais, marcadas para o ano que vem.

O Parlamento deve se reunir nos próximos dias para formalizar a renúncia e deve apontar o líder do Parlamento como presidente interino.

CNA
A decisão de pedir a Mbeki que deixe o cargo foi tomada em uma reunião do Comitê Executivo Nacional do partido.

O secretário-geral do CNA, Gwede Mantashe, disse que a decisão foi tomada para preservar a estabilidade do partido depois de uma "longa e difícil discussão".

O mandato do presidente terminaria no início do ano que vem, e a expectativa é de que Zuma seja o próximo candidato do partido.

Zuma obteve a liderança do partido em eleições extremamente concorridas no ano passado, depois de ter sido demitido da vice-presidência sul-africana por Mbeki, em 2005.

Mantashe afirmou que o pedido de renúncia não foi uma punição para Mbeki, acrescentando que o presidente terá a chance de continuar com seu papel de mediador no Zimbábue.

Ao mesmo tempo, os membros do CNA que formam o gabinete do presidente devem continuar no governo, para garantir a estabilidade.

Interferência política
Segundo o correspondente da BBC em Pretória Peter Biles, a decisão dramática vai mudar fundamentalmente o cenário político na África do Sul.

Zuma foi demitido da vice-presidência depois que seu assessor financeiro foi condenado por solicitar um suborno em seu nome.

No início do mês, um juiz da Suprema Corte suspendeu as acusações contra Zuma alegando evidências de que houve interferência política nas investigações.

Na decisão, o juiz disse parecer que Mbeki havia conspirado com a promotoria contra Zuma, como parte "da briga de poder titânica" dentro do CNA.

Mbeki nega veementemente as acusações.

Posição enfraquecida
O presidente, que dedicou sua vida ao CNA, foi o sucessor de Nelson Mandela como presidente do partido em 1997.

Ele se tornou presidente da África do Sul em 1999 e obteve um segundo mandato em 2004.

Talvez seu principal sucesso político tenha sido o rápido crescimento econômico da África do Sul desde o fim do apartheid e o crescimento de uma classe média negra - mas para a raiva de muitos, a riqueza é ainda pior distribuída do que antes.

Mbeki também fracassou em convencer os sindicatos e os sul-africanos mais pobres de que o governo agiu em nome do interesse deles - permitindo que Zuma mobilizasse um número poderoso de correligionários.

Domesticamente, o modo como seu governo lidou com a crise da Aids e o fracasso em coibir o crime violento no país deixaram-no com uma posição enfraquecida.

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