Presidente sul-africado deixa o Zimbábue sem conseguir acordo de Governo

Harare, 13 ago (EFE).- O chefe de Estado sul-africano, Thabo Mbeki, deixou hoje Harare sem ter conseguido um acordo para formar um Governo de união nacional entre o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição zimbabuana, Morgan Tsvangirai.

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Antes de partir, Mbeki disse que havia um acordo nesse sentido entre Mugabe e o chefe da facção minoritária do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Arthur Mutambara, mas porta-vozes do Governo de Harare afirmaram que não tinha sido assinado nenhum pacto, diante da divergência de Tsvangirai.

Mbeki visitará hoje Luanda para informar ao presidente angolano, José Eduardo dos Santos, responsável de Segurança e Defesa da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), sobre as conversas mantidas desde o domingo passado, em Harare, entre Mugabe, Tsvangirai e Mutambara.

Mbeki, mediador designado pela SADC, viajou no sábado a Harare para facilitar a negociação entre Mugabe, chefe da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e os líderes das facções majoritária e minoritária do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Tsvangirai e Mutambara.

As conversas entre os três líderes começaram no domingo, após quase três semanas de negociações em Pretória de delegados dos partidos, que não conseguiram chegar a um acordo.

A cúpula que a SADC realizará no próximo fim de semana em Johanesburgo, na qual Mbeki receberá a Presidência rotativa da organização, é outro motivo para que o presidente sul-africano se veja pressionado a conseguir um acordo no Zimbábue.

Botsuana, que não reconhece a última reeleição de Mugabe, anunciou que boicotará a cúpula se o presidente zimbabuano estiver presente.

Uma fonte da Zanu-PF disse à Agência Efe, em Harare, que Tsvangirai sugeriu nas conversas que o Parlamento, eleito em março passado - ainda não convocado por Mugabe e onde o MDC tem maioria -, se reúna e vote os cargos de primeiro-ministro e presidente, o que o grupo governamental não aceita.

Tsvangirai, segundo a imprensa zimbabuana e sul-africana, propõe ocupar o cargo de primeiro-ministro, com poderes executivos, enquanto Mugabe seria presidente, com funções honorárias, e haveria um período transitório de dois anos para novas eleições.

Mugabe quer compartilhar o Poder Executivo e um período de cinco anos antes da convocação de novos pleitos, segundo a imprensa.

As conversas entre a Zanu-PF e o MDC começaram depois do memorando de entendimento que assinaram, em Harare, em 21 de julho, para negociar um Gabinete de unidade, depois que a comunidade internacional rejeitou o resultado das eleições de 29 de junho, nas quais Mugabe foi reeleito. EFE sk/an

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