DOHA (Reuters) - O presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, chegou no Catar neste domingo, segundo divulgou a TV Al Jazeera, no momento em que líderes árabes se preparam para uma cúpula que deve discutir a acusação de crimes de guerra contra ele. Bashir visitou Egito, Eritréia, Líbia e Etiópia, desde que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra ele e o acusou de planejar crimes de guerra e contra a humanidade, em Darfur.

O Catar, local de uma importante base militar norte-americana, afirmou na semana passada que sofrera pressões para não receber Bashir, mas que manteve o convite ao líder do Sudão.

O líder líbio Muammar Gaddafi descreveu neste domingo a ação contra Bashir como "terrorismo do Primeiro Mundo."

"O mandado de prisão do tribunal internacional é uma tentativa do Ocidente de recolonizar as suas ex-colônias," afirmou Gaddafi, atual presidente da União Africana, à imprensa, na Etiópia.

"Todo o Terceiro Mundo se opõe ao mandado contra Bashir," acrescentou Gaddafi.

O mandado de prisão de Bashir pela corte internacional saiu no dia 4 de março. Ele é acusado por crimes na região de Darfur, no oeste do Sudão, onde segundo especialistas mais de 200 mil pessoas foram mortas desde 2003.

O Catar não faz parte do grupo de 108 países que aceitaram o estatuto de Roma, documento que criou o TPI. Mesmo num país-membro desse estatuto, a corte não tem como obrigar que os seus mandados sejam executados.

A União Africana afirmou que o mandado pode comprometer as tentativas de paz no Darfur. No mês passado, Gaddafi disse que "forças estrangeiras," incluindo Israel, estavam por trás do conflito no Sudão.

No sábado, o diplomata líbio Ali Triki afirmou que os países africanos na corte internacional poderiam se retirar do tribunal em protesto ao mandado contra Bashir.

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