Presidente sírio nega intenção de construir bomba atômica

Abu Dhabi, 27 abr (EFE).- O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que seu país não tem intenção de produzir bomba atômica, e negou mais uma vez que esteja construindo uma instalação nuclear de forma clandestina.

EFE |

Em entrevista ao jornal do Kwait "Al Watan", divulgada hoje no site, Assad advertiu a respeito de um eventual ataque contra o Irã, que é aliado de Damasco.

Segundo ele, um ataque desses "seria muito perigoso" e os países do Oriente Médio "pagariam o preço durante décadas, provavelmente um século".

O governante sírio se referiu, sobretudo, às acusações dos Estados Unidos contra Damasco sobre a construção de um reator nuclear com a ajuda da Coréia do Norte.

Assad acredita que essa afirmação tem como objetivo "encontrar um pretexto" para justificar o ataque israelense de setembro passado contra o território sírio.

Os EUA afirmaram que possuem várias provas, entre elas um vídeo, que demonstram que a Síria construía um reator nuclear com fins militares com a ajuda da Coréia do Norte.

"É ilógico. (Os israelenses) bombardearam uma instalação militar em construção (...) ali não havia ninguém, não havia nada", disse Assad na entrevista, divulgada hoje também no site do jornal sírio "Al Zaura".

"É razoável que exista uma instalação nuclear sem proteção ou antiaéreos? (...) uma instalação nuclear no meio do deserto sírio e em lugar aberto?", questionou o governante sírio, cujo país aderiu em 1970 ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

De todo modo, Al-Assad ressaltou que os sírios responderão ao ataque israelense, mas não "bomba por bomba ou míssil por míssil, nem bala por bala". "Temos outros métodos para responder", completou.

Ao mesmo tempo, disse que Damasco não procura a guerra com Israel.

"Quando se tem uma porta aberta para a paz não se deve buscar a guerra, mas é preciso se preparar para se defender (...) Psicologicamente, nós estamos nos preparando sempre".

Por outro lado, considerou que uma guerra contra o Irã por suas atividades nucleares terá conseqüências muito perigosas, que nenhum país do mundo poderia imaginar.

"Seriam muito perigosas, e não só para os estados árabes do Golfo (Pérsico) e do Estreito de Ormuz (por onde sai um terço do abastecimento de petróleo do mundo)", declarou.

Assad deixou claro, no entanto, que seu país, o único aliado árabe de Teerã, não enviará tropas ao Irã para ajudar esse país caso haja um ataque contra a República Islâmica.

"Apoiamos o Irã durante sua guerra contra o Iraque (1980-88) sem enviar um Exército", lembrou.

Por outro lado, o presidente sírio ressaltou que seu país mantém contatos "sobre as futuras expectativas" no Iraque com vários grupos nacionalistas iraquianos, incluindo o partido Al-Baath, já dissolvido, que governava o país até a derrocada do regime de Saddam Hussein, em 2003. EFE fa/bm/fb

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