Presidente Sassou-Nguesso tenta reeleição na República do Congo

Dacar, 11 jul (EFE).- O presidente da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso, enfrenta amanhã outros 12 candidatos em sua luta pela reeleição, com destaque na oposição para Mathias Dzon, líder da Aliança para a Renovação Democrática (ADR).

EFE |

Sassou-Ngueso nasceu em 1942 e foi educado durante os regimes comunistas de Cuba e da extinta União Soviética. Começou carreira política em 1968, quando participou do golpe de Estado que levou o general Marien Ngouabi ao poder.

No ano seguinte, Ngouabi batizou o país de República Popular do Congo e criou o Partido Congolês do Trabalho (PCT), que, exceto entre 1992 e 1997, ocupou o poder desde então.

Em março de 1977, quando Sassou-Ngueso era ministro da Defesa, Ngouabi foi assassinado em um golpe de Estado fracassado e, em seguida, o coronel Joachin Yhombi-Opango assumiu a Presidência e a liderança do PCT.

Yhombi-Opango ficou somente dois anos no poder como presidente do país, já que, em 1979, Sassou-Nguesso, que já era general, foi responsável por outro golpe de Estado e ocupou a Presidência, o comando do Exército e a liderança do partido.

Em dezembro de 1990, Sassou-Ngueso decidiu despolitizar o Exército e o PCT, e convocou um congresso extraordinário no qual, além de aceitar o pluralismo político e abandonar sua ideologia marxista-leninista, se consolidou no poder até o fim do mandato presidencial, em 1994.

No entanto, no dia 5 de junho de 1991, uma conferência nacional, da qual participaram os principais partidos já legalizados, decidiu destituir Sassou-Ngueso de todos seus poderes executivos - minimizando a Presidência a uma função protocolar - e retirá-lo do comando do Exército.

A conferência, que devolveu ao país seu nome original de República do Congo, colocou o Governo de transição nas mãos do primeiro-ministro André Milongo, um ex-funcionário do Banco Mundial sem afiliação política.

Em julho de 1992, foram realizadas eleições legislativas - as primeiras democráticas em três décadas - e o PCT conseguiu poucas cadeiras, enquanto, nas presidenciais, em agosto desse ano, a vitória foi dada a Pascal Lissouba, ex-primeiro-ministro, que obteve 61% dos votos.

Lissouba prometeu instalar um regime federal e fazer profundas reformas econômicas, mas não chegou a cumprir suas promessas. Isso criou o ambiente para uma revolta, que explodiu em 1997, liderada por Sassou-Nguesso, que o tirou do poder e fez com que este último se proclamasse presidente.

Através de pactos com os simpatizantes de Lissouba e do chamado Fórum para a Reconciliação Nacional, Sassou-Nguesso conseguiu que uma nova Constituição fosse aprovada em janeiro de 2002, em plebiscito, que concedeu amplos poderes a ele, como a proibição de ser reprovado pelo Parlamento.

Depois disso, convocou eleições para março de 2002, das quais saiu vitorioso por uma arrasadora maioria com um mandato de sete anos, que termina agora.

Dos outros 12 candidatos que concorrem às eleições, Mathias Dzon, líder da Aliança para a Renovação Democrática (ADR), desponta como principal adversário de Sassou-Nguesso, que tem mais chances de vitória.

Dzon foi ministro das Finanças e diretor nacional do Banco Central dos Estados da África Central (Beac), cargo que abandonou em dezembro para concorrer às eleições.

A ADR é uma coalizão de 20 partidos e associações que compartilham o objetivo de tirar Sassou-Nguesso do poder.

Em suas promessas políticas, Dzon quer reativar a economia do Congo, onde, apesar das riquezas naturais, a maioria da população vive na pobreza e os excedentes orçamentários são calculados em mais de 3 milhões de euros ao ano.

Dzon afirma que poderá melhorar o nível de vida do povo congolês, graças a uma divisão mais igualitária dos recursos gerados pelas exportações de petróleo.

Considerado por alguns analistas com "um democrata convencido", rejeita a ideia do sistema de partido único e sempre se negou a se filiar ao PCT.

Em um artigo titulado "Congo, hoje e amanhã", publicado recentemente, Dzon tenta demonstrar que seu país pode "evoluir e se renovar quando os congoleses se unirem para exigir as mudanças necessárias". EFE st/pd/rr/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG