Presidente russo ordena cessar da ofensiva na Georgia, mas sem retroceder

O presidente russo, Dimitri Medvedev, ordenou nesta terça-feira o fim da ofensiva militar na Geórgia, apesar de o exército russo continuar presente nesse país pró-ocidental do Cáucaso que denunciou novos bombardeios.

AFP |

Medvedev anunciou sua decisão durante uma conversa por telefone com o chefe da diplomacia da União Européia (UE), Javier Solana. O ministro russo da Defesa, Anatoli Serdiukov, confirmou que as forças russas detiveram seu avanço na Geórgia.

"Com base no seu relatório tomei a decisão de suspender as operações para obrigar o governo georgiano a discutir a paz", teria dito Medvedev durante um encontro com Serdiukov.

"O objetivo das operações foi atingido", acrescentou o presidente.

"A segurança de nossos soldados e da população foi restabelecida", afirmou ainda, referindo-se à república separatista pró-russa da Ossétia do Sul, onde os georgianos lançaram uma ofensiva na madrugada de sexta-feira que desencadeou a resposta russa.

Segundo um alto militar russo citado pela Interfax, a ofensiva russa no Cáucaso pretende "enfraquecer" militarmente a Geórgia para que este país não ataque as repúblicas separatistas pró-russas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

De acordo com o comando russo, a ordem de Medvedev foi obedecida, mas as tropas se manterão em suas atuais posições.

"As unidades de apoio às forças de manutenção de paz voltaram à sua missão de defesa e, em alguns lugares da Geórgia, continuam retirando suas tropas", informou o chefe adjunto do Estado-maior russo, general Anatoly Nogovitsin.

Nogovitsin afirmou, no entanto, que o cessar-fogo de suas forças e a interrupção do avanço pelo território georgiano não significam que todas as operações foram abandonadas, como as tarefas de reconhecimento.

"Os russos detiveram seu avanço. Não existe movimento de forças russas, mas elas permanecem em suas posições. O acordo de cessar-fogo ainda deve ser confirmado", informou, por sua vez, o ministro da Reintegração georgiana, Temur Yakobashvili.

Mas outras autoridades georgianas denunciaram que, apesar do anunciado fim da ofensiva, a aviação russa continuava atacando três povoados da Geórgia.

O exército russo desmentiu taxativamente as acusações georgianas segundo as quais continua bombardeando a cidade de Gori.

"Não bombardeamos voluntariamente Gori", declarou à imprensa, em Moscou, o general Nogovitsyn.

"Não visamos zonas habitadas por civis", enfatizou.

Segundo a televisão pública da Geórgia, no entanto, o centro da cidade georgiana de Gori foi bombardeado esta terça-feira, deixando vítimas. Além disso, dois edifícios universitários foram incendiados.

Apesar dos militares russos negarem bombardeios contra alvos civis em Gori, um jornalista estrangeiro, um cinegrafista holandês do canal de televisão RTL, morreu num ataque russo contra esta cidade do centro do país, quando se encontrava em seu veículo estacionado na praça central.

Esta morte eleva para cinco o número de jornalistas e colaboradores de diversos meios de comunicação mortos desde o início dos combates na Ossétia do Sul.

O comando russo também negou que o grande (e estratégico) oleoduto Bsku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) tenha sido bombardeado pelo exército, ao contrário do que as autoridades georgianas dizem.

O oleoduto, de 1.774 km, leva petróleo dos campos petrolíferos do Azerbaijão no Mar Cáspio para o porto turco de Ceyhan, às margens do Mediterrâneo. Tem capacidade para 1,2 milhão de barris diários.

As autoridades georgianas já haviam acusado a Rússia de ter efetuado no sábado bombardeios próximo ao oleoduto BTC.

Por fim, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que o número de pessoas deslocadas na região da Ossétia do Sul por causa do conflito russo-georgiano é de 100.000, insistindo para que as autoridades abram corredores humanitários.

A Cruz Vermelha Internacional anunciou na véspera que a situação humanitária na Ossétia do Sul e na Geórgia é muito grave e que está se preparando para enviar de avião 15 toneladas de medicamentos e material médico a estes lugares.

"O CICV recebeu informações sobre o aumento do número de mortes entre civis, a violência está se propagando para além da Ossétia", indicou a organização em um comunicado.

afp/cn

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