O presidente russo Dmitry Medvedev expressou revolta nesta quinta-feira pela morte da ativista de direitos humanos Natalia Estemirova. Ele ordenou a abertura de um inquérito sobre o assassinato de Estemirova, que estava investigando supostos abusos de milícias apoiadas pelo governo na Chechênia.

AP
Natalia Estemirova, em foto de 2007
Natalia Estemirova, em foto de 2007
Estemirova foi sequestrada na quarta-feira em Grozny, capital da Chechênia. O seu corpo foi encontrado no mesmo dia na região vizinha da Ingushetia. Ela foi assassinada a tiros.

A ativista, que tinha 50 anos, estava juntando provas para a organização russa de direitos humanos Memorial sobre uma campanha das milícias para incendiar casas de chechenos.

Ela era uma notória crítica do governo checheno do presidente Ramzan Kadyrov, que é aliado de Moscou.

Casa Branca

O diretor da Memorial, Oleg Orlov, culpou as autoridades chechenas pelo assassinato de Etemirova, e disse que ela já havia sido ameaçada de morte no passado.

O presidente checheno não comentou as declarações de Orlov, mas condenou o assassinato, dizendo que o autores do crime "não merecem apoio e precisam ser punidos como os criminosos mais cruéis", segundo informações da agência de notícias russa Interfax. Ele prometeu assumir pessoalmente o controle da investigação.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca divulgou uma nota na qual o governo americano se diz "profundamente perturbado e entristecido pelo [...] assassinato brutal".

"Um crime tão hediondo passa uma mensagem para a sociedade civil russa e para a comunidade internacional e ilustra a trágica deterioração da segurança e da lei no norte do Cáucaso nos últimos meses", afirma a nota da Casa Branca.

Estemirova trabalhou com a jornalista Anna Politkovskaya, assassinada em 2006, e com o ativista Stanislav Markelov, morto em janeiro deste ano. Em 2007, ela ganhou o primeiro Prêmio Anna Politkovskaya, e também foi premiada pelos parlamentos da Suécia e da Europa.

O assassinato da ativista também foi condenado pelos grupos Human Rights Watch e Anistia Internacional.

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