Presidente Robert Mugabe ameaça prender líderes opositores no Zimbábue

Harare, 16 jun (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, ameaçou hoje prender os líderes do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), por serem os responsáveis pela violência política em que está imerso o país, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais.

EFE |

"Acusamos (os opositores) de provocar atos de violência, e lhes advertimos que não vacilaremos em prendê-los em plena luz do dia", disse Mugabe, durante uma manifestação de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) em Kadoma (130 quilômetros ao sudoeste de Harare).

A retórica de Mugabe vem se tornando mais dura à medida que se aproxima o dia 27 de junho, quando enfrentará nas urnas o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, que venceu o primeiro turno do pleito, realizado em 29 de março.

No sábado passado, o líder zimbabuano, que governa ininterruptamente desde a independência do país, em 1980, disse que a oposição "nunca chegará ao poder" enquanto ele estiver vivo, e que está preparado para "pegar em armas e ir à guerra" para defender seu país.

"Devemos deixar que este país seja tomado pelos traidores do MDC? Nunca, enquanto eu e aqueles que lutaram pela independência deste país estivermos vivos. Estamos preparados para ir à guerra por ele", disse Mugabe, em discurso pronunciado durante o funeral de um antigo combatente da independência.

O jornal governamental "Herald" publicou ontem uma entrevista com Mugabe, na qual lembrou que "milhares de zimbabuanos morreram na guerra de libertação empreendida na década dos 70 contra o Governo de minoria branca na antiga Rodésia".

Na entrevista, Mugabe adverte que "qualquer tentativa de reverter a independência do país será duramente rechaçada".

"Esta terra, pela qual lutamos, nunca será tomada pelo MDC e entregue a nossos antigos opressores, os brancos", disse Mugabe.

Em um relatório publicado na semana passada, a organização pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou que "os crescentes níveis de violência política acabaram com qualquer esperança de que se desenvolvam eleições livres e justas em 27 de junho no Zimbábue".

"Os zimbabuanos não poderão votar livremente se temem que isso pode acabar com suas vidas", diz a HRW, que indica ter constatado "numerosos incidentes de seqüestros, surras, torturas e massacres por parte de funcionários e seguidores do partido governista".

A organização acrescenta que o Zanu-PF e seus aliados estabeleceram, por todo o país, campos de tortura, e de "reeducação" nos quais utilizam paus e correntes de bicicleta, entre outros objetos, para convencer os seguidores do MDC a votar em Mugabe". EFE jm/gs

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