Presidente peruano promete impedir vitória eleitoral da esquerda

Por Teresa Céspedes LIMA (Reuters) - O presidente Alan García prometeu na terça-feira a investidores estrangeiros que o Peru terá estabilidade política de longo prazo, e que ele tentará impedir que candidatos de esquerda vençam as eleições de 2011.

Reuters |

As declarações, num discurso de rara franqueza a executivos latino-americanos, aparentemente tem como alvo os temores da comunidade empresarial quanto às perspectivas eleitorais do político ultranacionalista Ollanta Humala, aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Humala quase foi eleito presidente em 2006, e na época os mercados reagiram negativamente às suas propostas para reverter anos de neoliberalismo econômico no Peru.

"O presidente não pode escolher seu sucessor, mas pode evitar que o próximo presidente seja alguém que ele não quer", afirmou García.

Humala, que como general do Exército promoveu uma breve rebelião em 2000, habitualmente acusa o governo de retratá-lo como um bicho-papão para prejudicar sua carreira política.

García não disse qual candidato antiesquerdista ele pretende apoiar. As pesquisas mostram um empate em primeiro lugar entre Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e Luis Castañeda, prefeito de Lima, ambos ligeiramente à frente de Humala.

O presidente peruano foi esquerdista na juventude e, em seu primeiro mandato (1985-90), tomou medidas como nacionalizar bancos. Em 2006, no entanto, foi eleito como o candidato favorito dos mercados financeiros.

O Peru, grande produtor de minérios, se beneficiou do recente "boom" das commodities e da expansão do crédito, até que se instalasse a crise global no final de 2008.

"Eu garanto que cada centavo que vocês trouxerem será protegido pela estabilidade política que o Peru terá nos próximos dez anos. Essa é a minha contribuição de longo prazo para depois que a crise passar", afirmou.

García, que apresentou um plano destinado a manter o crescimento peruano na faixa de 5 por cento neste ano, disse que o país deve sentir em maio e junho os piores efeitos da crise.

Economistas independentes preveem que o país crescerá cerca de 1 por cento em 2009, encerrando uma fase de sete anos de forte expansão.

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