Milhares de produtores agropecuários pararam com seus tratores à beira de várias estradas em 13 dos 17 departamentos do Paraguai, em um gigantesco protesto contra o governo do presidente eleito, Fernando Lugo, no qual pediram segurança, informou a mídia local nesta segunda-feira.

"Esta é uma mensagem clara de todos os cidadãos, que estão fartos da insegurança e da violência que imperam no país", disse o líder do "tratoraço", Héctor Cristaldo, presidente da União de Grêmios da Produção (UGP).

O protesto, a 110 dias do início do governo, é uma reação às incessantes invasões de propriedades e queimas de edificações, máquinas e lavouras por parte de supostos camponeses sem terra - que, segundo a oposição, são apoiados pelo governo.

"Exigimos segurança e trabalho ao presidente Lugo", afirmou Cristaldo em uma reunião da UGP, que deu início à manifestação simultânea em 60 pontos do território paraguaio, e que culminará na terça-feira com um protesto em frente ao Congresso nacional.

"Esta é uma mobilização gigantesca, inédita. Saímos pacificamente, sem bloquear as estradas, sem prejudicar terceiros", destacou Cristaldo.


Tratores são posicionados ao longo das estradas / EFE

Os produtores, apoiados por 14 grandes grêmios de produtores e empresários, exigem o fim da violência no campo, atribuída aos grupos de supostos camponeses sem terra, que atacam principalmente os produtores de soja, que estão em plena época de colheita.

Sob o lema "segurança e trabalho para todos", os produtores conseguiram a adesão de setores civis que convocaram manifestações simultâneas em vários centros urbanos do país.

"Sem rumo"

Líderes da oposição denunciam uma mudança radical do discurso de Lugo, que até 2007 era bispo da Igreja católica, e agora parece se aproximar do tipo de atitude esquerdista mantida por presidentes como o venezuelano Hugo Chávez e o equatoriano Rafael Correa.

"Esta classe de governo não é o que nós queríamos", declarou à AFP o líder do Partido Colorado (que estava no poder até a vitória de Lugo), Luis Castiglioni.

Lino Oviedo, influente líder oposicionista, afirmou por sua vez que o governo do ex-bispo "não tem rumo", e que os marxistas que o cercam desejam levar adiante um plano para implantar políticas semelhantes às de Chávez e Correa, embora sejam "principiantes".

"Não vamos pisar nas cascas de banana desses principiantes", indicou.


Manifestantes pedem "segurança e trabalho para todos" / EFE

Para Héctor Cristaldo, "as pessoas estão cansadas de tanta briga, de tanta violência". "Fazemos um apelo aos líderes. Chegou a hora de nós, paraguaios, nos reencontrarmos para melhorar o país, deixando os preconceitos de lado. Vêm aí tempos difíceis, o próximo ano será complicado para todos", advertiu.

"Está na hora de nos anteciparmos aos problemas e não perder tempo em discussões estéreis. Nós queremos a mudança, mas a mudança em paz", insistiu.

Aníbal Carrillo, porta-voz de Lugo, disse com ironia que "o 'tratoraço' é uma grande farsa, porque pretende usar a roupa da pátria para a convocação de uma corporação mesquinha", referindo-se aos grandes productores agrícolas.

Além disso, acusou os produtores agropecuários de serem responsáveis "pela política econômica que deixou milhares de compatriotas sem trabalho e sem terras, empurrando-os para os limites das cidades".

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