Presidente paraguaio diz que não renunciará apesar do escândalo

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou nesta sexta-feira que nao renunciará a seu cargo apesar dos escândalos de paternidade que pesam contra ele e advertiu que o processo levado adiante por seu governo não sofrerá retrocessos.

AFP |

"Ante os rumores de instabilidade e de conspiração, este processo não sofrerá retrocesso até 15 de agosto de 2013 quando estaremos entregando a nosso sucessor a faixa presidencial", afirmou Lugo em mensagem lida no palácio de governo.

Indagado sobre as versões da existências de mais filhos, Lugo se limitou a responder que "se confessa com seus confessores".

Lugo prometeu que tratará as denúncias seguindo três critérios. "Em primeiro lugar, uma colaboração sem rodeios com a justiça. Em segundo lugar, a verdade sempre e até o final e, em terceiro, sendo interlocutor da justiça e da imprensa, meu advogado particular será meu representante, que dará a informação sem rodeios".

"Não foi minha intenção ofender ninguém e se alguém da comunidade eclesiástica tenha se sentido aborrecido ou exasperado com esta situação, a mim não custa pedir perdão quando reconheço que faltei para com a igreja, o país, os cidadãos, e com quem depositou confiança em mim".

Na quinta-feira, Damiana Morán, a terceira mulher a denunciar que tem um filho com Lugo, afirmou que o atual presidente, que é um ex-bispo, é pai de pelo menos seis crianças.

"Formamos um grupo de trabalho para administrar todos os casos de paternidade (relacionados a Lugo). Até o momento, já temos notícia de que existem seis casos", disse Morán em entrevista coletiva.

Morán explicou que a ideia de formar o grupo surgiu em conversas com responsáveis da Secretaria da Infância e da Adolescência e da Secretaria da Mulher.

Segundo a mulher, as encarregadas das duas secretarias, Liz Torres e Gloria Rubín, "têm plena consciência sobre a necessidade de se esclarecer tudo para que Lugo possa governar".

Morán, que afirma ter um filho de um ano e quatro meses com Lugo, disse que não vai exigir nada do chefe de Estado, e destacou que o próprio presidente já comunicou, por intermédio de seu advogado, que assumirá a paternidade.

Damiana Morán, de 39 anos, iniciou sua relação com Lugo há cinco anos, e a intensificou durante a campanha eleitoral que levou o ex-bispo à Presidência, em abril de 2008.

Lugo ocupou o posto de bispo de San Pedro (400 km ao norte de Assunção) até 11 de janeiro de 2005, mas manteve o hábito religioso até 18 de dezembro de 2007, quando renunciou para se candidatar à Presidência.

Na semana passada, Lugo reconheceu como filho o menino Guillermo Armindo, de dois anos, fruto de um relacionamento com Viviana Carrillo Cañete.

A admissão pública da paternidade estimulou uma segunda mulher, Benigna Leguizamón, ex-funcionária da diocese de San Pedro, a exigir que Lugo reconheça o filho Lucas Fernando, de seis anos.

A titular da secretaria da Mulher, Gloria Rubín, estimou que podem surgir novos casos e pediu a Lugo que esclareça toda a situação.

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