Presidente paraguaio assume filho com uma jovem de 26 anos

Assunção, 13 abr (EFE).- O presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, encerrou hoje a expectativa causada durante a Semana Santa em seu país, ao assumir a paternidade de um menino de quase dois anos, depois de dois advogados terem apresentado um processo de reconhecimento de paternidade contra ele, na quarta-feira.

EFE |

O processo, aberto em Encarnación, no sul do Paraguai, foi o principal assunto da imprensa local durante a Semana Santa, com diversas especulações e comentários, mas Lugo manteve silêncio absoluto e divulgou por seus assessores que só falaria desse assunto amanhã, durante sua entrevista coletiva semanal.

No entanto, o governante antecipou sua aparição pública e, em uma breve mensagem, admitiu sua relação com Viviana Carrillo, uma jovem de 26 anos cuja assinatura foi impressa no processo aberto por dois advogados pela paternidade de Guillermo Armindo Carrillo, que completará dois anos de idade no dia 4 de maio.

"É certo que houve uma relação (sexual) com Viviana Carrillo", afirmou na leitura da mensagem, na qual afirmou ainda que assume "todas as responsabilidades que possam derivar de tal fato, reconhecendo a paternidade do menino".

As dúvidas começaram logo após a abertura do processo, porque ela nega ter assinado o pedido de reconhecimento impetrado pelos advogados, em uma breve nota, sem rubrica, que entregou na mesma quarta-feira aos jornalistas que foram à porta de sua casa, em Fernando de La Mora, cidade vizinha a Assunção.

Além disso, os principais assessores de Lugo tentaram desqualificar a ação, acusando os advogados que a apresentaram de uma manobra política ou de tentativa de extorsão do governante.

"Como paraguaio, como presidente da República, como cristão e laico, não quis apressar a resposta durante este consagrado tempo", argumentou hoje Lugo, que se manteve em silêncio durante a Semana Santa e não apareceu em nenhum ato religioso.

Lugo, de 58 anos, renunciou ao Ministério sacerdotal em dezembro de 2006 para se dedicar à política. Até então, era bispo emérito da diocese de San Pedro, departamento (estado) mais pobre do país, onde nasceu a mãe da criança.

O Vaticano, que em janeiro de 2007 suspendeu Lugo "a divinis" por se dedicar à política, rebaixou-o ao estado laico em 20 de julho de 2008, duas semanas antes de ele assumir a Presidência do Paraguai.

"A partir deste momento e atendendo à privacidade da criança e às altas responsabilidades impostas pelo exercício da Presidência, não darei mais declarações sobre o assunto", acrescentou Lugo.

Um dos advogados dele, Marcos Fariña, admitiu ter se reunido duas vezes com os advogados que entraram na Justiça, a fim de tentar um acordo econômico para evitar que o caso se tornasse público.

Viviana Rosalith Carrillo Cañete conheceu Fernando Lugo ainda muito jovem, na casa de sua madrinha, Edith Lombardo, na cidade de Choré, em San Pedro, quando ele era bispo desse departamento.

"Desde aquela tenra idade, o processado (Lugo) me seduziu e começamos a ter um relacionamento amoroso, que se iniciou porque ele dormia na casa da minha madrinha", diz a jovem, em uma parte da nota, amplamente divulgada pela imprensa.

O escândalo da reivindicação de paternidade, que exige um teste de DNA, estourou um dia após o chefe de Gabinete de Lugo e seu estreito colaborador, Miguel Ángel López Perito, renunciar ao cargo por discordar da entrega de um subsídio de US$ 8 milhões para apoiar agricultores afetados por uma seca.

Apesar de dizer que sua renúncia era irrevogável, López Perito retornou hoje ao cargo e anunciou que o presidente realizará uma reforma ministerial no dia 20 de abril, quando completará um ano sua vitória eleitoral, com apoio de uma aliança de amplo leque ideológico que encerrou a hegemonia de 61 anos no poder do Partido Colorado. EFE lb/jp

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