Presidente paquistanês pede que Índia não castigue seu país por atentados

Londres, 1 dez (EFE).- O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, fez uma chamada à Índia para que não castigue seu país por causa dos atentados terroristas da semana passada em Mumbai, cuja autoria é atribuída em Nova Délhi a ativistas paquistaneses.

EFE |

Em entrevista publicada hoje pelo jornal britânico "Financial Times", Zardari adverte que essa provocação por parte de "agentes não estatais" sem controle ameaça desencadear uma guerra entre os dois países vizinhos, ambos potências nucleares.

Enquanto aumentam as pressões em Nova Délhi para que a Índia responda ao Paquistão como merece por causa da onda de violência, Zardari pediu ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, que não ataque seu país até ser decoberta a responsabilidade de militantes paquistaneses nos atentados.

"Até se (for provado que) os militantes estão vinculados ao Lashkar-e-Toiba, a quem os senhores acham que estamos combatendo nós", pergunta Zardari, cujo Governo enfrenta os militantes da Al Qaeda e os talibãs na fronteira com o Afeganistão.

"Infelizmente, vivemos em uma época turbulenta na qual agentes não estatais nos arrastaram para guerras, como ocorreu com (os ataques terroristas de) 11 de setembro (nos Estados Unidos) ou contribuíram para a escalada da situação no Iraque", acrescenta o presidente paquistanês.

Esses agentes "criaram um fosso enorme entre as principais religiões do mundo", denuncia Zardari, segundo o qual "é preciso ficar juntos para acabar com essa ameaça".

"Os autores da tragédia de Mumbai elevaram o perigo em nossa outra fronteira (leste). Em um momento crítico, quando conseguimos espantar esses militantes por nossa fronteira ocidental (com o Afeganistão), distrai-se nossa atenção (com esses ataques)", lamenta o presidente paquistanês.

Na Índia, o secretário-geral do governante Partido do Congresso, Veerappa Moily, declarou ao "Financial Times" que "todos os terroristas envolvidos nos atentados de Mumbai estão relacionados ao Lashkar-e-Toiba, que tem sua base no Paquistão".

"Estamos muito preocupados e o Governo (indiano) não deixará que essas ações fiquem impunes", acrescentou.

No entanto, segundo o presidente Zardari, a Índia ainda não apresentou provas irrefutáveis de que os ataques terroristas tiveram origem no Paquistão. EFE jr/an

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