Presidente palestino sinaliza rejeição à proposta do Quarteto

Abbas não aceitará nenhum plano de negociação que não inclua fim de assentamentos israelenses e Estado nas fronteiras de 67

iG São Paulo |

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, sinalizou neste sábado que vai rejeitar a proposta de mediadores internacionais para retomar negociações no Oriente Médio, um dia após apresentar um pedido de reconhecimento do Estado palestino na Organização das Nações Unidas (ONU).

Abbas, que retornou à Cisjordânia no sábado após participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York, disse que ainda está estudando a proposta do Quarteto para o Oriente Médio, formado por Estados Unidos, União Europeia, Nações Unidas e Rússia.

Mas ele afirmou que não aceitará uma iniciativa que não exija o fim dos assentamentos israelenses e um Estado palestino com as fronteiras de 1967. A proposta do Quarteto não faz nenhuma das duas exigências.

O ministro palestino das Relações Exteriores, Riad al-Maliki, afirmou que o projeto “não satisfez as expectativas” por não mencionar os dois pontos reivindicados por Abbas. Para Maliki, a única novidade na declaração do Quarteto é o cronograma para alcançar um acordo em assuntos de segurança e fronteiras.

Apresentada por mediadores internacionais após Abbas discursar no plenário da Assembleia, a proposta solicita uma reunião dentro de um mês, no máximo, entre israelenses e palestinos para que se forme uma agenda de negociações, que deverá contar com um prazo final para uma resolução que não passe de 2012.

Além disso, o Quarteto propõe que cada um dos lados apresente suas propostas em relação a território e segurança em até três meses, estipulando o prazo de até seis meses para que elas sejam discutidas.

Para isso, o Quarteto pretende se reunir em uma conferência internacional em Moscou. Entre outros pontos, os mediadores também dizem ter o compromisso de se encontrar regularmente e intensificar sua cooperação com os dois lados.

Israel ainda não comentou a proposta.

Comemoração dos palestinos

Neste sábado, palestinos participaram do funeral de Issam Badran, homem morto por disparos durante um confronto com soldados israelenses e colonos na Cisjordânia na sexta-feira. O incidente, testemunhado por um repórter da Associated Press, começou quando 200 colonos queimaram e desenraizaram árvores nesta sexta-feira perto da vila palestina de Qusra.

AP
Palestinos carregam o corpo de Issam Badran durante funeral na Cisjordânia

Habitantes locais jogaram pedras nos colonos. Soldados israelenses usaram gás lacrimogêneo e depois munição real. No posto de controle no cruzamento de Qalandiya, um cruzamento-chave entre Jerusalém e a Cisjordânia, dezenas de jovens palestinos arremessaram pedras e garrafas contra as forças de segurança nesta sexta-feira.

Também na sexta-feira, milhares de palestinos se reuniram em torno de telões dispostos ao ar livre nas praças da Cisjordânia, para acompanhar o discurso de Abbas.

Em Ramallah, capital política da Cisjordânia, uma multidão tremulando bandeiras se reuniu no centro da cidade, na Praça Al-Manara e na Avenida Yasser Arafat, para mostrar seu apoio a Mahmud Abbas, que sofreu até o último minuto uma intensa pressão dos Estados Unidos e de outros países para desistir do pedido.

"Eu estou com o presidente", afirmou Muayad Taha, 36 anos, que levou seus dois filhos com idades entre sete e dez anos, para testemunhar esse momento. "Depois do fracasso de todos os outros métodos (para ter o Estado reconhecido) nós atingimos o limite do desespero. Essa é uma boa tentativa para colocar a causa palestina e o povo palestino no mapa."

Enquanto o discurso de Abbas era transmitido nas ruas, a população podia ouvir uma canção popular sobre a proposta de reconhecimento, com o verso "anunciá-lo, meu povo, anunciá-lo, o Estado da Palestina, anunciá-lo", que saía dos alto-falantes de um carro de som. Motoristas também buzinavam enquanto passavam pelo local.

"Com nossas almas, com nosso sangue, defenderemos a Palestina!", gritavam as pessoas ao final do discurso do presidente. "Jerusalém! Veremos milhões de mártires!", bradavam palestinos, exibindo imagens Abbas.

Com AP e AFP

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