500 pessoas morreram, em sua maioria mulheres e crianças cristãos." / 500 pessoas morreram, em sua maioria mulheres e crianças cristãos." /

Presidente manda investigar massacre na Nigéria

LAGOS - O presidente interino da Nigéria, Goodluck Jonathan, ordenou nesta terça-feira uma profunda investigação sobre o massacre de domingo nos arredores da cidade de Jos, no centro do país, onde mais de http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/03/08/confronto+etnico+religioso+deixa+500+mortos+na+nigeria+9420585.html500 pessoas morreram, em sua maioria mulheres e crianças cristãos.

iG São Paulo |

Segundo o porta-voz de Jonathan, Ima Niboro, o presidente também deu ordens aos chefes das forças de segurança para que reassumam o controle da situação na região e evitem novas situações de violência em Jos, capital do Estado de Plateau.

AFP
Nigerianos acompanham enterro de vítimas em vala comum

Nigerianos acompanham enterro de vítimas em vala comum


Na segunda-feira, as autoridades estaduais informaram que pelo menos 500 pessoas foram assassinadas por camponeses muçulmanos fulani em três aldeias dos arredores de Jos. A polícia, no entanto, disse que só houve 55 mortes.

Segundo testemunhas, os camponeses, que estavam armados com revólveres, fuzis, metralhadoras e facões, atacaram os moradores dos povoados de Dogo Nahawa, Zot e Ratsat, que são majoritariamente cristãos.

O massacre, condenado por inúmeras organizações nigerianas e por EUA, Reino Unido, França e Vaticano, levou Jonathan a substituir o conselheiro de Segurança Nacional, o general da reserva Sarki Mukhtar, por Aliyu Gusua, que já ocupou o cargo duas vezes.

A ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch , com sede nos EUA, pressionou a Nigéria nesta terça-feira a levar à Justiça os responsáveis pelo massacre.

"O presidente interino deve garantir que os militares e a polícia atuem rapidamente para proteger os civis de todas as etnias ameaçados por novos ataques ou represálias", afirma a organização em um comunicado. "Esse tipo de violência provocou milhares de mortes em Plateau durante a última década, mas ninguém foi considerado responsável", completa a nota.

Clima de tensão

As tropas nigerianas patrulhavam nesta terça-feira os vilarejos da região de Jos, que está em alerta máximo desde a noite de domingo por ordem do presidente interino. A tensão é percebida nos vilarejos, que enterram desde domingo os mortos. Muitas vítimas eram mulheres, algumas grávidas, e crianças.

AFP
Mulheres choram seus mortos na Nigéria

Mulheres choram seus mortos na Nigéria


"Vamos nos vingar", afirmou um jovem durante um sepultamento em Dogo Nahawa, uma das três aldeias atacadas. Um jornalista muçulmano que cobria um funeral quase foi linchado.

Segundo uma fonte militar, um soldado morreu na segunda-feira em Bukuru, a 20 quilômetros de Jos, quando tentava acalmar os jovens cristãos que planejavam represálias.

A região já estava sob toque de recolher das 18 horas às 6 horas desde um episódio anterior de violência, em janeiro, quando mais de 300 muçulmanos morreram nas mãos de cristãos.

Dessa vez os criminosos, segundo os sobreviventes e as autoridades locais, eram criadores de gado nômades muçulmanos da etnia fulani que mataram cristãos sedentários da etnia berom.

O toque de recolher não impediu os ataques do fim de semana que, segundo vários sobreviventes, duraram três horas e não foram evitados pelas forças de segurança nigerianas. A passividade aprofundou o debate sobre a impunidade na região, onde a violência é recorrente.

"Não confiamos nas Forças Armadas nigerianas responsáveis pela segurança do Estado de Plateau", afirmou o Fórum dos Cristãos do Estado de Plateau.

As autoridades nigerianas responderam às acusações com o anúncio de prisões. Segundo o ministro de Informação do governo local, Gregory Yenlong, 95 suspeitos de participação no massacre foram detidos.

O principal partido da oposição nigeriana, o Action Congress (AC), pediu "ações concretas para acabar com o ciclo de impunidade, em vez de lágrimas de crocodilo". Segundo o AC, 5 mil morreram desde 2001 em atos violentos na região de Jos.

O Estado de Plateau, situado entre o norte de maioria muçulmana e o sul, habitado sobretudo por cristãos, é cenário frequente de violência religiosa ou étnica.

*Com informações da EFE e AFP

Leia mais sobre Nigéria

    Leia tudo sobre: nigéria

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG