O presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, apresentou uma ação de inconstitucionalidade contra a decisão de uma juíza que ordenou que ele se apresentasse à justiça, depois que uma mulher o acusou de assédio sexual e de ser pai de seu filho.

AP
Lugo em entrevista, nesta terça-feira
Lugo foi intimado a comparecer na quinta-feira a um tribunal de Ciudad del Este (330 km da capital Assunção) para que uma amostra de seu sangue fosse coletada e usada em um exame de DNA.

A denúncia foi feita por Benigna Leguizamón, de 27 anos. Ela afirma que Lugo a estuprou quando trabalhava como sua empregada doméstica, e que seu filho, Fernando Lucas, de 7 anos, é fruto deste relacionamento. Na época, Lugo ainda era bispo da Igreja Católica.

"O prédio do arcebispado tinha dois andares. Ele me trancou a chave em um quarto e lá tirou minha roupa e me possuiu. Eu não tinha como escapar dele", contou Leguizamón à rádio Magnificat de Ciudad del Este, onde vive.

"Ele pediu que eu não tivesse nojo dele, e continuou a relação então eu acabei engravidando. Ele prometeu assumir", revelou a jovem, explicando que só ficou grávida depois de dois anos.

Reação

"Este é o segundo capítulo desta história. Vamos esperar o terceiro capítulo e ver o que acontece", declarou com ironia o presidente paraguaio na terça-feira.

Nesta quarta, ele disse que não comparecerá na quinta-feira a Ciudad del Este, amparando-se em um artigo do código civil que exime o presidente e membros do Congresso e da Suprema Corte de prestar depoimento.

Os escândalos de paternidade que cercam o presidente Lugo chegaram ao auge em abril deste ano, quando reconheceu ser pai de Guillermo Armindo, hoje com dois anos, filho de Viviana Carrillo, de 24 anos.

No último domingo, Lugo disse acreditar que "chegou o momento de repensar o celibato na América Latina e no mundo", em uma entrevista ao jornal chileno "El Mercurio".

Outros casos

Segundo Benigna Leguizamón, o presidente tem outros filhos não reconhecidos.

"Há uma mulher chamada Carmen, de San Pedro, que tem um filho de 4 anos. Ela me disse que, assim que eu resolver o meu caso, ela também apresentará uma denúncia. Este senhor agora me dá asco", afirmou à rádio.

Uma terceira mulher, Damiana Hortensia Morán, de 39, também afirma ter tido um filho com Lugo, mas ainda não entrou com um processo judicial.


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