Presidente líbio critica que UE dirija União pelo Mediterrâneo

Argel, 10 jun (EFE) - O presidente líbio, Muammar Kadafi, criticou hoje que o projeto da União pelo Mediterrâneo (UPM) seja dirigido pela União Européia (UE) e advertiu de que os membros da Liga Árabe não aceitarão a dispersão de suas fileiras e que os países africanos rejeitam que se atente contra sua unidade. Em discurso na abertura da minicúpula árabe de Trípoli dedicada a fixar uma posição comum sobre a UPM, Kadafi denunciou que foi a parte européia que refletiu e decidiu sozinha este projeto e pediu aos países árabes que o aceitem, segundo a agência oficial líbia Jana. Além do chefe de Estado líbio, da reunião de Trípoli participam os presidentes da Argélia, Abdelaziz Bouteflika; da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali; da Síria, Bashar al-Assad; da Mauritânia, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi; e o primeiro-ministro do Marrocos, Abbas el-Fassi. Foi a parte européia que refletiu, decidiu, dividiu e pede que nos vistamos com o que ela costurou, afirmou o presidente líbio perante seus colegas árabes. Kadafi indicou que a União Européia, que persegue sua coesão, rejeitou o projeto inicial do presidente francês, Nicolas Sarkozy, já que não queria permitir uma divisão da União. Não é permitido ao sul da Europa integrar outros mecanismos à margem da UE, e a África e a União Africana (UA) não permitem ao norte do continente integrar um mecanismo que corre o risco de atentar contra a UA, destacou. Além disso, disse que os países árabes n...

EFE |

Nós somos também membros da União Africana, perante a qual temos compromissos e isso deve ser levado em conta", ressaltou.

Kadafi afirmou que o projeto da UPM "é uma idéia passageira e momentânea" e que os países árabes rejeitam "sacrificar o que é essencial, a unidade da nação árabe e da africana, frente a projetos de investimento passageiros".

A minicúpula de Trípoli, à qual deveria comparecer o presidente egípcio, Hosni Mubarak - cuja presença não foi confirmada -, tentará adotar uma posição comum frente à UPM, mas não deve aprovar qualquer declaração conjunta.

O projeto de Sarkozy gerou, até o momento, algumas reservas em países árabes e do Magrebe, especialmente Líbia e Argélia.

O encontro foi realizado quatro dias depois do encontro da última sexta-feira em Argel do Fórum Mediterrâneo, que reuniu onze ministros de Exteriores dos países ribeirinhos sobre este mesmo assunto.

Na capital argelina, vários países no norte da África expressaram suas reservas sobre o projeto, que deve ser lançado oficialmente em uma cúpula em Paris em 13 de julho.

A Líbia anunciou que Kadafi não participará da cúpula da capital francesa e a participação de Bouteflika também não é considerada, por enquanto, provável, assinalaram várias fontes argelinas. EFE sk/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG