TEERÃ (Reuters) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta terça-feira que qualquer país que tente impor novas sanções ao Irã lamentará suas ações e que as negociações sobre uma proposta de troca de combustível nuclear ainda estão em curso. Ele fez os comentários um dia depois de a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em viagem pela região do Golfo Pérsico, buscar o respaldo da gigante petrolífera Arábia Saudita para conseguir apoio da China à adoção de novas sanções.

Clinton disse que uma possível nova rodada de sanções teria como alvo a Guarda Revolucionária iraniana, que, segundo ela, está levando a República Islâmica na direção de se tornar uma ditadura militar.

"É claro que se alguém agir contra o Irã, nossa resposta sem dúvida será suficientemente firme para fazê-los lamentarem sua ação", disse Ahmadinejad em coletiva de imprensa transmitida pela televisão, sem dar mais detalhes.

"Sanções não vão prejudicar o Irã", disse ele.

Ahmadinejad também disse que as conversações sobre uma proposta troca de combustível nuclear ainda estão em curso, e que a questão ainda não foi descartada.

As potências ocidentais esperavam que a proposta, mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pudesse levar o Irã a enviar a maior parte de seu urânio com baixo grau de enriquecimento para o exterior para ser processado, com isso aliviando seus receios de que Teerã possa produzir uma bomba nuclear.

Teerã afirma que seu programa nuclear pretende unicamente gerar eletricidade, para que o Irã possa exportar uma parte maior de seu petróleo e gás.

"Há algumas negociações em curso sobre uma troca de combustível nuclear", disse Ahmadinejad. "A proposta ainda não foi descartada. Já anunciamos que estamos dispostos a aceitar uma troca de combustível dentro de um quadro justo."

"Ainda estamos dispostos a fazer uma troca, até mesmo com os Estados Unidos", ele acrescentou.

A ordem dada por Ahmadinejad na semana passada de que fosse iniciada a produção de urânio com grau de pureza mais alto, em lugar de concordar com a proposta de troca de combustível mediada pela Organização das Nações Unidas (ONU), expõe Teerã a novos chamados por parte de potências ocidentais por sanções.

O Kremlin disse nesta terça-feira que o Irã pode enfrentar sanções se não dissipar os temores internacionais sobre seu programa nuclear, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em visita a Moscou, pediu "sanções paralisadoras" contra o Irã.

O líder iraniano disse que o Irã tinha se disposto a enviar seu urânio ao exterior, em vez de enriquecê-lo mais em casa. "Mas, constatamos que não há boa vontade nessa questão, e dissemos a eles que se não nos fornecerem (o combustível) dentro do prazo desejado, iniciaremos o trabalho dentro do Irã."

"E, mesmo agora, se eles nos fornecerem o combustível necessário, as condições serão mudadas", disse Ahmadinejad.

(Reportagem de Reza Derakhshi)

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