Presidente haitiano diz que não poderá receber deportados dos EUA

Miami, 3 out (EFE) - O presidente do Haiti, René Préval, advertiu hoje em Miami de que o país não poderá receber os imigrantes haitianos deportados pelos Estados Unidos, e pediu ao Governo americano que conceda a eles o status de proteção temporária (TPS, em inglês). Préval quis deixar claro que a ilha, na qual o Brasil desdobrou militares dentro da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), e que foi afetada recentemente pela passagem sucessiva de quatro furacões, não poderá receber as pessoas (haitianas) deportadas pelos Estados Unidos. O presidente fez estas declarações no fechamento da 12ª edição da Conferência das Américas, organizada pelo jornal The Miami Herald, que terminou hoje e à qual assistiram empresários e líderes políticos da América Latina, do Caribe e dos Estados Unidos. Préval indicou que o presidente dos EUA, George W. Bush, tem em suas mãos a oportunidade de conceder aos haitianos os benefícios destas permissões temporárias de residência que desfrutam atualmente os nicaragüenses, salvadorenhos e hondurenhos.

EFE |

"Pedi a Bush que reconsidere a postura de sua Administração" e conceda o chamado TPS aos imigrantes haitianos que se encontram em condição ilegal nos Estados Unidos, ressaltou.

"Continuarei insistindo", ressaltou Préval, que advertiu de que o país, "com seus poucos recursos", não poderá evitar se transformar em uma "base de terrorismo ou ponto de tráfico de drogas para mercados internacionais".

Ele fez uma descrição desoladora da situação atual do país e acrescentou que o Governo precisa de "investimentos para reconstruir o país, sua infra-estrutura básica", totalmente desmantelada após a passagem dos furacões, que deixaram centenas de mortos.

"Precisamos traçar um plano geral para reconstruir o país e da ajuda, mais do que nunca, do setor privado, de seu capital", insistiu Préval.

Após agradecer pela ajuda humanitária "generosa" enviada à ilha caribenha por vários Governos e organizações, o líder mostrou seu temor de que, "após um primeiro momento de solidariedade", o Governo haitiano se encontre só perante os desafios, "que se multiplicaram".

O presidente haitiano destacou que, por causa dos desastres naturais que atingiram o país, o Haiti entrou em uma situação de empobrecimento e retrocesso, da qual demorará muitos anos para sair.

Trata-se de uma situação de desastre que jogou por terra "o que tínhamos alcançado nos últimos anos e nossa oportunidade de desenvolvimento".

Por outro lado, durante o dia de hoje foram realizados, na Conferência das Américas, diversos fóruns sobre a segurança na América Latina e no Caribe, assim como em relação à competitividade, tecnologia e comércio na região.

No âmbito da segurança, funcionários de alta categoria da América Latina coincidiram em que a globalização do crime e seus novos métodos para criar redes de tráfico de drogas, pornografia infantil e comercialização de pessoas e armas só pode ser derrotada por meio de "esforços combinados e internacionais".

"Nenhum país está imune da globalização criminosa do narcotráfico" e de outras formas de delinqüência frente às quais fracassaram os "modelos" para combatê-las, afirmou Monte Alejandro Rubido García, subsecretário de Política Criminal da Secretaria de Segurança Pública (SPP) do México.

Ao falar sobre os "modelos" com os quais as autoridades combatem o crime e a onda de violência extrema que afeta o país, Rubido reconheceu que estes deixaram de ser "funcionais".

"É preciso reestruturar todo o sistema de combate à insegurança", destacou.

Quanto ao "excesso de violência" registrado no México, ressaltou que é causado porque o país "deixou de ser uma nação de passagem de droga para se transformar em uma de consumo de droga".

No mesmo fórum, intitulado Segurança na América Latina e no Caribe, o chanceler do Panamá, Samuel Lewis Navarro, afirmou que a "delinqüência não tem fronteiras" e que os "recursos nunca são suficientes, porque os recursos dos criminosos sempre são maiores".

Por isso, ressaltou a importância de as forças de ordem pública possuírem os "equipamentos necessários, um serviço de inteligência adequado e um sistema judiciário eficiente".

"É necessário coordenar esforços internacionais e um esforço combinado em nossos países para ganhar a batalha contra o crime", acrescentou.

Para Wilfred Elrington, ministro de Assuntos Exteriores de Belize, o problema do narcotráfico e da criminalidade "só pode ser resolvido com um ponto de vista e uma ação global".

Nesse contexto, explicou que as atuais redes de narcotraficantes contam, em sua direção, com "mentes muito brilhantes" que dispõem de "recursos e os melhores contadores e advogados".

Ele denunciou que estas quadrilhas agem impunemente nos países menores e mais pobres, onde "comprometem seus líderes" e compram ou intimidam policiais, testemunhas, promotores e magistrados.

"Nós não podemos resolver os problemas por nós mesmos", assegurou Elrington, pelo que, destacou, "o primeiro mundo deve entender que sua segurança depende da segurança do terceiro mundo" ou verá "serem exportados os mesmos problemas a suas cidades". EFE emi/db

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