Presidente georgiano adverte contra reconhecer Abkházia e Ossétia do Sul

Paris, 25 (EFE).- O reconhecimento russo da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul teria resultados desastrosos, inclusive para a Rússia adverte o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili.

EFE |

"Não acho que haja alguém irresponsável o bastante na comunidade internacional para aceitar isso", adverte Saakashvili, em entrevista que publicada hoje pelo jornal "Libération".

O Conselho da Federação (Câmara Alta) e a Duma (Câmara Baixa) pediram hoje ao presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que reconheça a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul.

"Acho que é uma falta grave, de uma tentativa de mudar as fronteiras da Europa por meio da força. Terá resultados desastrosos, inclusive para a Rússia", afirmou Saakashvili.

Para o líder georgiano, "é uma invasão clássica, que não têm nada a ver com o direito internacional. Tentam matar o direito das nações".

Perguntado sobre por que interveio na Ossétia do Sul, Saakashvili disse que os confrontos já tinham começado e a única opção era "repelir os russos ou capitular e aceitar um regime como o de Vichy", em alusão ao regime colaboracionista francês durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

O presidente georgiano disse que pensava que haveria um ataque russo na Abkházia, mas que sempre achou que a Ossétia do Sul "era um território sem importância para a Rússia".

"Inclusive quando começou a aumentar a tensão ali, achei que podia conter tudo. Cometi essa falta porque pensei que o ataque principal seria na Abkházia. Não que (os russos) pudessem atacar Tbilisi", disse.

Saakashvili agradeceu o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que intermediou para o acordo o cessar-fogo entre Rússia e Geórgia em 12 de agosto.

"Era uma operação de salvamento", disse.

Sarkozy convocou para na próxima segunda-feira uma cúpula extraordinária da União Européia - a França ocupa a Presidência rotativa do bloco - para falar da crise na Geórgia e do futuro das relações com a Rússia.

"A Rússia tentou dar a impressão que ganhou uma vitória contra a Otan. A longo prazo, não pode ganhar esse jogo. Não é a União Soviética", argumentou Saakashvili, que defendeu sanções contra os dirigentes russos. EFE al/an

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