Presidente francês pede que emissoras não divulguem vídeos de atirador

Sarkozy faz apelo por 'respeito às vítimas' enquanto Al-Jazeera estuda exibição de imagens de ataques assumidos por Mohamed Merah

iG São Paulo |

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fez um apelo nesta terça-feira para que emissoras de televisão não divulguem vídeos feitos por Mohamed Merah , francês de origem argelina que assumiu um ataque a uma escola judaica e dois atentados contra militares . Merah enviou imagens de suas ações para a rede de TV Al-Jazeera , que ainda não decidiu se exibirá ou não o material.

"Peço aos diretores de todas as emissoras de televisão que tenham essas imagens que não as divulguem em nenhuma circunstância, por respeito aos mortos e ao país", afirmou Sarkozy, acrescentando que "não há justificativa" para a exibição de vídeos das mortes de sete pessoas - um rabino, três crianças e três soldados.

Leia também: Autor de ataques no sul da França enviou vídeo para Al Jazeera

AP
Em Paris, Sarkozy discursa para policiais e magistrados que participaram das investigações sobre atirador

O Conselho Superior do Audiovisual francês também fez um apelo para que os canais de TV do país não divulguem as imagens dos ataques cometidos em Toulouse e Montauban, no sudoeste da França. Até agora, nenhuma emissora além da Al-Jazeera disse ter as imagens.

O chefe da emissora em Paris, Zied Tarrouche, afirmou que o vídeo enviado por Merah é uma montagem com 25 minutos de duração que mostra, em ordem cronológica, cenas dos três ataques ao som de músicas religiosas e versos do Corão.

"É possível ouvir os tiros, a voz do autor dos disparos, que foi alterada, e os gritos das vítimas", disse Tarrouche, acrescentando que o vídeo "foi bem realizado do ponto de vista técnico".

Segundo Tarrouche, o atirador teria utilizado uma câmera presa ao peito, como já haviam revelado testemunhas que presenciaram os ataques. "Só vemos planos frontais, mais ou menos estáveis."

Em entrevista ao canal BFM, Tarrouche disse que a decisão sobre a exibição do vídeo deverá ser tomada nesta terça-feira. "Não somos um canal sensacionalista, não estamos buscando divulgar as imagens sem calcular os riscos e as consequências", afirmou. "Conversei com o procurador de Paris, que me falou sobre as consequências da divulgação das imagens. Mas também não podemos ser proibidos de realizar nosso trabalho de jornalistas."

O escritório parisiense da Al-Jazeera recebeu um pen drive com imagens das mortes na segunda-feira, e uma carta manuscrita, que transferiu os documentos à polícia francesa. O vídeo, segundo a imprensa francesa, foi postado em um vilarejo próximo a Toulouse, onde residia Merah, e o carimbo do correio teria como data a terça-feira passada.

Os investigadores apuram se o envelope foi colocado no correio por Merah na noite da última terça-feira (20), antes do cerco à sua residência, iniciado na madrugada de quarta-feira, ou se ele teria um cúmplice. A imprensa francesa afirma, com base em uma fonte policial não identificada, que o vídeo não teria sido postado por Merah, mas a informação não foi confirmada oficialmente.

O jovem de 23 anos foi morto na quinta-feira com um tiro na cabeça após um cerco policial que durou 32 horas. Segundo autoridades, ele disse ter ligações com a rede Al-Qaeda e reivindicou os ataques, afirmando ter como objetivo vingar as crianças palestinas e punir a França por sua presença militar no Afeganistão.

O local do enterro de Merah tem causado inúmeras discussões na França. Autoridades preferem que ele seja enterrado na Argélia, onde reside seu pai, alegando que sua sepultura poderia ser atacada em Toulouse.

O governo argelino já teria autorizado que Merah seja enterrado no país, mas sua mãe, que reside em Toulouse, preferiria que ele fosse sepultado na França.

O pai de Merah ameaçou entrar com uma ação contra a França pelo assassinato de seu filho por policiais. Sarkozy disse nesta terça-feira estar "indignado" com a ameaça.

Com BBC

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