Presidente exilado de Honduras planeja volta ao país

O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya prometeu retornar ao país após mais de um mês exilado, planejando cruzar a fronteira a partir da Nicarágua, num perigoso desafio à posição irredutível do governo de fato, que já deixou claro que pretende prendê-lo caso ele retorne.

AFP |

Zelaya foi tirado da cama e expulso do país vestindo pijamas pelo golpe militar do dia 28 de junho, que o substituiu por Roberto Micheletti na presidência hondurenha.

"Mel", como é chamado por seus partidários, declarou que viajaria para o norte da Nicarágua nesta quinta-feira, e de lá "para a fronteira no dia seguinte", ignorando ameaças do governo de fato e advertências da comunidade internacional, que teme um banho de sangue.

Na Nicarágua, onde foi recebido pelo presidente Daniel Ortega, Zelaya disse que cruzaria a fronteira desarmado.

"Irei acompanhado de minha mulher e meus filhos", disse à imprensa.

Há algumas semanas, Zelaya fez sua primeira tentativa de retornar a bordo de um avião, mas foi impedido pelos militares, que bloquearam a pista do aeroporto de Tegucigalpa com veículos blindados.

No plano internacional, o uso da Nicarágua por Zelaya como base para voltar para Honduras pode inflamar tensões regionais. Micheletti acusou os governos de esquerda na Nicarágua, Venezuela e Equador de fomentar o conflito no país, estimulando a crise para provocar uma guerra civil.

A esperança de uma solução mediada para a crise hondurenha foi por água abaixo depois que o governo de Micheletti rejeitou as propostas que previam a volta de Zelaya ao país como presidente até o fim de seu mandato, em janeiro.

O ministro das Relações Exteriores do governo de fato, Carlos Lopez Contreras, disse à rede CNN que a volta de Zelaya ao poder é "impossível".

O presidente cortarriquendo Oscar Arias, que media as negociações por uma solução pacífica, sugeriu que Zelaya montasse um governo de coalizão com Micheletti até janeiro.

Em entrevista à rede de televisão venezuelana Telesur, Zelaya disse que a mediação da crise havia "praticamente fracassado", e que o governo de fato "decidiu negar qualquer chance de um acordo".

Arias, que ganhou um prêmio Nobel da Paz por seu trabalho de mediação para pôr fim às brutais guerras civis de países da região, estimou que, se os dois lados se recusam a entrar num acordo, devem se voltar para órgãos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Visivelmente frustrado, o presidente da Costa Rica classificou a situação de Honduras como "a pior crise em quase três décadas da jovem democracia hondurenha", e disse que Honduras se transformou na Coreia do Norte ou na Albânia da América Central.

bur-shn-arb/ap

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