Presidente eleito do Peru reúne-se com Dilma em início de giro regional

Após encontros com presidenta brasileira, Lula e diplomatas, Ollanta Humala segue para Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile

iG São Paulo |

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, reuniu-se nesta quinta-feira em Brasília com a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, no início de um giro regional que, além do Brasil, inclui Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile.

Humala, que venceu o segundo turno das eleições presidenciais do Peru do último domingo, chegou às 10 horas desta quinta-feira ao Palácio do Planalto, ao qual entrou por uma porta lateral.

EFE
A presidenta brasileira, Dilma Rousseff, recebe o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, no Palácio do Planalto, em Brasília
Após reunião, o presidente eleito no Peru disse que "existem muitos pontos em comum" com a Dilma e ressaltou o fato de o Brasil e o Peru compartilharem uma extensa fronteira na região amazônica, onde deve ser reforçada a segurança contra o narcotráfico e outros delitos transnacionais. "Temos de lutar juntos contra o narcotráfico e contra as ameaças à segurança", pois esses são problemas comuns", declarou.

De acordo com o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, que esteve na reunião, Dilma adiantou a Humala alguns aspectos de um plano de segurança de fronteira anunciado na quarta-feira pelo Brasil, que propõe maior interação com os países vizinhos.

Humala destacou também a cooperação que o Peru pode receber do governo brasileiro em programas de combate à pobreza, nos quais o Brasil desenvolveu uma importante experiência. Ele lembrou, no entanto, que "a realidade peruana é diferente da brasileira", o que impossibilitaria a simples cópia dos modelos. "O Brasil é um modelo bem-sucedido, que alcançou crescimento com estabilidade macroeconômica e inclusão social", reconheceu Humala.

Ao final do encontro, a presidenta brasileira se comprometeu a viajar a Lima para a cerimônia de posse de Humala, em 28 de julho. O porta-voz da Presidência Rodrigo Baena explicou que Dilma também convidou Humala a retornar a Brasília em visita como chefe de Estado antes do fim do ano, para aprofundar a ampla agenda bilateral entre Brasil e Peru.

Giro

O futuro presidente peruano ficará dois dias no Brasil. Além do encontro com Dilma, em Brasília manterá reuniões com diplomatas brasileiros e depois viajará para São Paulo para reunir-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apontou como modelo a ser seguido na América Latina.

A presidenta Dilma foi a primeira chefe de Estado a convidar Humala para uma visita, após cumprimentá-lo por telefone por sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais peruanas.

O governante declarou após a eleição que suas duas prioridades em política externa são a Comunidade Andina de Nações (CAN), grupo que o Peru integra juntamente com Bolívia, Equador e Colômbia, e a União de Nações Sul-americanas (Unasul), aliança que reúne todo o continente sul.

Do Brasil, Humala segue na sexta-feira para o Paraguai, onde se encontra com o presidente Fernando Lugo. Na segunda, reúne-se com o presidente do Uruguai, José Mujica; na terça, com a mandatária argentina, Cristina Kirchner; e na quarta-feira com o presidente do Chile, Sebastián Piñera.

"Queremos ir aos países do Mercosul e também preciso visitar os Estados Unidos. Tomara que possa fazer essa viagem em breve, eu gostaria de entrar em contato com a Administração americana", afirmou Humala na quarta-feira.

Humala também expressou seu desejo de que os presidentes da região possam estar presentes na cerimônia de posse que será realizada em Lima, no dia 28 de julho.

Humala disse também que antes da posse pretende viajar "a Venezuela, Equador, Colômbia, Bolívia” e outros países sul-americanos para estabelecer relações de amizade e respeito mútuo com os chefes de Estado que consideraram por bem nos convidar antes do juramento".

Humala, um ex-militar de esquerda de 48 anos, venceu no domingo passado a eleição presidencial peruana e governará o país até 2016.

Economia

Na quarta-feira, o candidato eleito pela aliança Ganha Peru voltou a repetir que sua prioridade é dar estabilidade econômica ao país e implementar suas propostas sociais com o objetivo de conseguir maior inclusão da população menos favorecida.

Além disso, minimizou a importância da grande queda que a Bolsa de Valores de Lima registrou na segunda-feira, superior a 12%, e afirmou que a incerteza é algo que "normalmente acontece em momentos de eleições".

"Mas hoje a bolsa já subiu (quase 7 pontos), e os bancos internacionais e as seguradoras de risco assinalam que é momento de investir. A coisa vai bem e é preciso manter a calma", declarou.

Humala ressaltou que o Peru tem uma economia "real, sólida" – e cresce entre 7% e 8% anualmente - e não pode ser abalado pelas bolsas de valores.

*Com EFE e BBC

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