Presidente eleito do Panamá promete governar com o povo

Panamá, 4 mai (EFE).- Os resultados preliminares das eleições deste domingo no Panamá anunciam um novo panorama político liderado pelo opositor e próximo presidente do país, Ricardo Martinelli, que também controlará o órgão legislativo.

EFE |

"Eu vou governar com todos os panamenhos", assegurou hoje Martinelli, um empresário milionário de 57 anos que estudou nos Estados Unidos, ao antecipar informalmente o que poderia ser a primeira configuração de gabinete de seu mandato.

Martinelli informou que, provavelmente, o vice-presidente, Juan Carlos Varela, deve assumir o Ministério das Relações Exteriores e não descartou incluir na equipe elementos "bons" do Partido Revolucionário Democrático (PRD), atualmente no Governo.

O atual presidente panamenho, Martín Torrijos, secretário do PRD, o grande derrotado das eleições, convocou Martinelli a participar de uma reunião amanhã para fixar o organograma da transição, que deverá estar concluída em 1º de julho, com a transferência de comando.

O Tribunal Eleitoral (TE) prometeu hoje dados oficiais e definitivos para terça-feira, e a proclamação formal do novo governante para o dia seguinte, mas, com 86,9% das urnas apuradas, reconheceu que a tendência estabelecida é irreversível.

A vitória do líder do Mudança Democrática (CD) significa uma guinada à direita e uma derrota às reivindicações políticas do governista PRD, fundado pelos seguidores da ditadura militar de 1968 e membro da Internacional Socialista.

O próximo presidente do Panamá, que já conta com o aval do tribunal, fundou e dirige o CD, o qual define como sendo "nem de esquerda nem de direita".

O partido foi respaldado pela classe política mais tradicional do país, representada principalmente no Partido Panameñista (PPa), do qual provém Varela, seu companheiro de chapa.

O Partido Molirena e a União Patriótica, ambos conservadores, também apoiaram a candidatura de Martinelli, como integrantes da chamada Aliança pela Mudança (AD), com a qual o novo presidente venceu as eleições, com 60% dos votos, com a apuração de 89% das urnas.

Quanto às eleições legislativas, a informação preliminar do tribunal, com 86,6% dos votos contabilizados, concede 37 cadeiras à coalizão de oposição liderada por Martinelli com o CD, que obtém 12 deputados, que é respaldada pelo Partido Panameñista (19), União Patriótica (4) e Molirena (2).

O PRD, com 46 representantes na atual assembleia, conta só com 21 assentos na nova configuração do Congresso, e o Partido Popular (PP), que respaldou a legenda nas eleições, conquistou um.

O Vanguarda Moral da Pátria (VMP), do candidato presidencial Guillermo Endara, que governou o Panamá entre 1989 e 1994, ganhou uma cadeira, e haverá pelo menos dois deputados independentes na assembleia legislativa, formada por 71 membros dos quais nove ainda não foram definidos.

Das eleições municipais, convocadas para escolher 75 prefeitos em todo o país, os dados extraoficiais na cidade do Panamá apontam para a vitória do candidato da Aliança pela Mudança, Bosco Vallarino, com 45,51% dos votos.

O candidato do PRD, Bobby Velásquez, recebeu 39,64% dos votos, com 88,6% das urnas apuradas.

Segundo os dados preliminares, Balbina Herrera, a candidata à Presidência do PRD, ficou com 37% dos votos.

O empresário colombiano David Múrcia, preso em Bogotá como idealizador de uma grande pirâmide financeira, afirmou recentemente que fez um investimento milionário tanto na campanha de Herrera quanto na de Velásquez.

A acusação, negada por ambos, foi apontada como sendo "determinante" nas intenções de voto, sobretudo no caso de Velásquez, favorito nas pesquisas até o último momento.

A Missão de Observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) que foi ao Panamá para supervisionar as eleições recomendou hoje no relatório final sobre o pleito uma maior transparência na informação sobre as doações políticas, sobre as quais recomendou uma legislação específica.

A lei eleitoral panamenha não exige que os candidatos políticos revelem o número ou a identidade dos patrocinadores, nem impõe limite às doações que podem receber para as campanhas.

As autoridades eleitas este domingo por voto universal no Panamá administrarão o país durante o período 2009-2014. EFE aic/db

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