O presidente eleito de Honduras, Porfirio Pepe Lobo, pediu nesta segunda-feira a renúncia do presidente deposto, Manuel Zelaya, e do líder interino, Roberto Micheletti, como uma saída para solucionar a crise política que se arrasta desde o final de junho. Vencedor em uma controvertida eleição que não foi reconhecida pela maioria dos países da região, Lobo disse que pretende impulsionar um diálogo nacional com governo de fato e o deposto, medida com a qual pretende recuperar o apoio internacional perdido desde a deposição de Zelaya, em 28 de junho.

"Ambos disseram que estavam dispostos a renunciar, mas agora, creio que podemos alcançar este propósito (...) e nos ter integrados ao governo de reconciliação nacional", disse Lobo em entrevista coletiva.

"Vou impulsioná-los para que caminhem rápido e que se conclua tudo para que tenhamos as portas internacionais abertas", acrescentou.

Lobo disse que se reuniria com Micheletti ainda nesta segunda-feira e que tentaria conversar com Zelaya, que continua refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa há quase três meses, desde seu regresso ao país.

Na terça-feira, Lobo deverá se reunir com o Parlamento para tentar buscar uma anistia política tanto para os membros do governo deposto como para o interino.

Zelaya tem reiterado que não renunciará ao cargo, cujo mandato termina oficialmente em 27 de janeiro. Micheletti, por sua vez, disse logo após as eleições, que permaneceria no poder até que Lobo assuma a Presidência.

Saída frustrada
Porfirio Lobo disse ainda que tentará facilitar a saída de Zelaya da embaixada brasileira.

"Se o presidente Zelaya quer sair, que o presidente Micheletti venha e facilite para que ele possa sair. O tema é como evitaremos um confronto", afirmou Lobo.

Na última quinta-feira, a tentativa do presidente deposto de deixar o país foi frustrada. O governo interino rejeitou um salvo-conduto que permitiria a saída de Zelaya rumo ao México.

Zelaya pretendia chegar ao México não como asilado político, mas como "hóspede ilustre", condição que não o obrigava a renunciar ao cargo de presidente.

O governo mexicano chegou a enviar um avião a Tegucigalpa para levar o presidente deposto.

Outra tentativa de diálogo prevista para esta segunda-feira entre Zelaya e Lobo, na República Dominicana, também fracassou.

O governo interino se negou novamente a dar um salvo-conduto ao líder deposto, que tem um mandato de prisão por supostamente violar a Constituição ao convocar uma consulta popular para promover a modificação da Carta Magna.

Violência
Enquanto se negocia uma saída para Zelaya, organizações de direitos humanos denunciam o incremento da violência contra ativistas vinculados a Frente de Resistência Contra o Golpe.

Na madrugada desta segunda-feira, o ativista de direitos humanos Walter Trochez, foi assassinado em Tegucigalpa. Há pouco mais de uma semana, o ativista havia sido capturado e agredido por supostos policiais encapuzados.

A Frente de Resistência responsabiliza ao governo interino pela morte.

"Estão praticando ataques seletivos a ativistas da resistência. Os responsáveis desse assassinato são os líderes do golpe", afirmou à BBC Brasil Andres Pavon, diretor da Comissão de Defesa de Direitos Humanos (CODEH).

As autoridades hondurenhas ainda não se pronunciaram sobre este crime.

De acordo com o CODEH, desde a deposição de Zelaya, 33 pessoas vinculadas à Frente de Resistência foram assassinadas. Outros 105 casos de homicídios ocorridos durante o estado de sitio estão em processo de investigação.

Ainda não se sabe se as mortes têm motivação política.

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