Tegucigalpa, 14 dez (EFE).- O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, inaugurou hoje com diversos setores sociais o diálogo nacional que promoveu durante a campanha eleitoral, concluída com seu triunfo no último dia 29 de novembro.

"Este diálogo será feito sem nenhum viés político", expressou Lobo ao iniciar o encontro, que não teve participação de representantes do Partido Unificação Democrática (de esquerda) nem da Frente Nacional de Resistência Popular, que exige a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya.

"Não assistimos ao diálogo porque estamos discutindo no partido se vamos participar ou não da iniciativa, embora pensemos que todo diálogo é importante no país nestes tempos de crise", disse o presidente do Partido Unificação Democrática, César Ham.

Ham ressaltou que se Lobo promove um diálogo nacional "deve ser para que se escute a todos os setores, que não seja um diálogo de surdos no qual não tem representação o presidente Zelaya".

No evento, organizado em um hotel da capital, participaram cerca de 500 pessoas, representando sindicatos, grupos étnicos, partidos políticos, camponeses, patronatos comunais, empresários e profissionais, entre outros setores da sociedade civil.

Temas como a prestação de contas e a participação cidadã foram analisados no encontro promovido por Lobo, que ganhou a Presidência de Honduras em novembro, após perder as eleições de 2005, quando enfrentou Zelaya.

Lobo, ex-presidente do Parlamento de Honduras e presidente do Partido Nacional, disse que no diálogo nacional serão conhecidas as inquietações de todos os setores e as necessidades do povo.

O mandato constitucional de Zelaya, que desde 21 de setembro permanece na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, termina oficialmente no dia 27 de janeiro de 2010, quando Lobo assume o cargo.

O presidente deposto foi expulso do país após um golpe de Estado no dia 28 de junho, mesmo dia no qual o Parlamento definiu sua substituição por Roberto Micheletti, atual presidente de facto, que hoje reiterou que entregará o poder no dia 27 de janeiro.

A maioria da comunidade internacional rejeitou reconhecer os resultados do pleito de novembro em Honduras por considerar que se as eleições aconteceram em um momento de ruptura constitucional pelo golpe de Estado. EFE gr/fm

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