Presidente e rival declaram vitória em eleição no Irã

Por Parisa Hafezi e Zahra Hosseinian TEERÃ (Reuters) - A mídia estatal declarava o presidente Mahmoud Ahmadinejad como o vencedor das eleições iranianas nesta sexta-feira, mas o candidato opositor Mirhossein Mousavi alegou irregularidades e também se dizia vitorioso.

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De acordo com a comissão eleitoral, Ahmadinejad liderava a contagem com quase 69 por cento dos votos, contra 29 por cento de Mousavi. Cerca de 35 por cento das urnas já haviam sido abertas.

A agência oficial de notícias Irna publicou: "O doutor Ahmadinejad, com a conquista da maioria dos votos da décima eleição presidencial, assegurou a vitória".

Mais cedo, Mousavi havia tentado esvaziar os anúncios oficiais com a convocação de uma entrevista coletiva. Ele alegou que houve irregularidades como a falta de cédulas eleitorais.

"Eu sou o vencedor definitivo desta eleição presidencial", declarou ele, que não respondeu sobre os números da comissão eleitoral.

A campanha, bastante disputada, gerou muita mobilização dentro do Irã e provocou um grande interesse ao redor do mundo. Políticos buscam sinais de uma mudança de postura em Teerã, cujas relações com Washington pioraram com Ahmadinejad.

Uma vitória de Mousavi ajudaria a diminuir as tensões entre Teerã e o Ocidente, que tem preocupação com as ambições nucleares do Irã, e aumentaria as chances de um entendimento com o presidente dos EUA, Barack Obama, que tem falado sobre um recomeço nas relações entre os dois países.

Mais cedo, em Washington, Obama afirmou que seu governo estava empolgado com o debate no Irã, e disse esperar que isso ajude os dois países a se relacionar "de novas maneiras".

Mousavi, ex-primeiro-ministro, disse que muitas pessoas não puderam votar mesmo com a prorrogação das eleições por quatro horas. Na entrevista coletiva, ele listou os problemas no processo de votação.

"Estamos esperando o encerramento oficial da contagem dos votos e as explicações sobre essas irregularidades", disse Mousavi. "Esperamos comemorar com o povo em breve."

"Esperamos que as autoridades encarregadas trabalhem nesse tema. Com a sabedoria do líder supremo essa questão terminará bem."

Pelas regras eleitorais, se nenhum candidato conseguir mais da metade dos votos, haverá um segundo turno em 19 de junho entre os dois melhores colocados.

FILAS PARA VOTAR

Longas filas se formaram nos centros de votação, tanto no norte e nas áreas ricas de Teerã --redutos de Mousavi-- quanto no sul e nos bairros mais pobres --bastiões de Ahmadinejad.

A alta participação pode indicar a presença de muitos eleitores pró-reformas que se abstiveram quando Ahmadinejad conquistou uma surpreendente vitória nas urnas quatro anos atrás com a promessa de retomar os valores da revolução islâmica de 1979.

Para os iranianos, a eleição é uma chance de julgar os quatro anos de governo de Ahmadinejad.

Embora Ahmadinejad, de 52 anos, diga que seu governo reviveu o crescimento econômico e coibiu os aumentos de preços, a inflação e elevado desemprego foram os principais temas da campanha eleitoral. A inflação oficial está por volta de 15 por cento.

Questões sociais, como o rígido código de vestimenta para as mulheres, bem como as relações do Irã com outros países também foram tema da campanha, mas o resultado da votação não trará uma grande mudança na política externa do país, que é determinada pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Mousavi, de 67 anos, rejeita as exigências do Ocidente de interrupção do enriquecimento de urânio, mas analistas dizem que ele teria uma atitude diferente quanto às relações entre o Irã e os EUA e nas conversações sobre o programa nuclear iraniano. O Ocidente teme que o objetivo iraniano seja a fabricação de bombas nucleares, o que o país nega.

A campanha de três semanas foi marcada por acusações pessoais, com Ahmadinejad associando os concorrentes à corrupção. Eles afirmaram que o presidente mentia sobre o estado da economia.

Os concorrentes de Ahmadinejad, que também incluíam o clérigo liberal Mehdi Karoubi e o ex-líder da Guarda Revolucionária Mohsen Rezaie, pediram ao ministério do Interior e a Khamenei que assegurasse a lisura das eleições.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb e Hashem Kalantari)

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