Moscou, 24 jul (EFE).- O presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, foi reeleito por uma maioria arrasadora, segundo os dados preliminares oferecidos hoje pelas autoridades eleitorais dessa ex-república soviética na Ásia Central, em resultados que a oposição não reconhece e denuncia como fraudulentos.

Com um terço das urnas apuradas, Bakiyev aparecia com 88,9% dos votos, anunciou em entrevista coletiva concedida em Bishkek o presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC) quirguiz, Damir Lisovski, citado pela agência russa "Interfax".

O presidente da CEC explicou que esses números correspondem à apuração de 969 dos quase três colégios eleitorais do Quirguistão.

Segundo Lisovski, o ex-primeiro-ministro e líder do Movimento Popular Unido, Azlambeka Atambayev, conseguiu 6,29% dos votos, enquanto os outros quatro candidatos à Presidência não superaram 2% cada.

Um total de 79,38% dos cerca de 2,9 milhões de eleitores do Quirguistão participaram do pleito.

"As eleições presidenciais transcorreram em um clima bastante tranquilo e amistoso", disse Lisovski ao fazer um resumo da jornada eleitoral de ontem.

No entanto, a avaliação da oposição sobre o pleito é diferente da do presidente da CEC.

"Não reconhecemos os resultados das eleições. Não são legítimas por causa do elevado número de irregularidades", declarou hoje Atambayev, que anunciou a retirada de sua candidatura no meio do dia de votação.

Outro dos candidatos, o independente Zhenishbek Nazaraliev, também declarou ontem que abandonava a corrida eleitoral.

A CEC tachou de "ilegal" a desistência dos dois candidatos durante a votação, pois a lei eleitoral permite tal atitude apenas até três dias antes do pleito.

Ainda na quinta-feira, a oposição quirguiz já havia se negado a reconhecer os resultados das eleições, mas renunciou aos protestos, que foram proibidos pelas autoridades.

"Durante dois ou três dias nos dedicaremos a obter provas das irregularidades registradas e depois decidiremos nossas formas de protesto", declarou em um comício um dos líderes da oposição, Azimbek Beknazarov, citado pela agência quirguiz "Akipress".

Beknazarov anunciou o cancelamento de um show e de uma passeata convocados anteriormente para esta noite em Bishkek, apesar da proibição oficial, e pediu aos cerca de mil partidários presentes ao comício que fossem para suas casas.

A única mulher que participava da disputa pela Presidência, Toktaiym Umetalieva, também expressou sua inconformidade com os resultados parciais anunciados pela CEC.

"As autoridades locais receberam ordens para pôr um teto em minha votação, para que não passasse de 4%", disse a candidata, citada pela agência digital "24.kg".

Hoje, a ONG União de Organizações Cívicas (UOC) do Quirguistão se uniu às denúncias de fraude eleitoral feitas pela oposição.

"Sempre há irregularidades nas eleições, mas como as de ontem nunca houve antes. Não foram eleições, foi uma farsa", afirmou Asya Sasykbayeva, da direção da UOC.

Segundo a ONG, as urnas de diversos colégios eleitorais já continham muitos votos antes mesmo do começo da votação.

No entanto, a missão de observadores da pós-soviética Comunidade dos Estados Independentes (CEI) declarou que as eleições presidenciais no Quirguistão foram "livres e transparentes" e que "os direitos e liberdades constitucionais dos cidadãos" foram observados durante sua realização.

"Os observadores da CEI ficaram com uma impressão positiva da campanha eleitoral e da jornada da votação", disse em entrevista coletiva o chefe dessa missão, Serguei Lebedev. EFE bsi/bba

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