Presidente do Zimbábue perde a maioria no Parlamento

Por Nelson Banya HARARE (Reuters) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, vive na quarta-feira a maior crise de seu longo governo, ao perder a maioria no Parlamento pela primeira vez desde a independência do país, em 1980.

Reuters |

O oposicionista Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) destacou que Mugabe também perdeu a eleição presidencial de sábado e deveria admitir isso para evitar maiores constrangimentos.

Assessores do presidente rejeitaram com veemência a afirmação do MDC e defenderam punições à oposição por divulgar resultados não-confirmados, mesmo depois de o governo ter alertado que essa atitude poderia ser considerada uma tentativa de golpe.

Mas o jornal estatal e as projeções do partido governista, o Zanu-PF, admitiram que, pela primeira vez em 28 anos, Mugabe não terá maioria no Parlamento.

Os resultados da eleição parlamentar vêm sendo divulgados lentamente desde a votação de sábado. As cifras oficiais indicam 96 deputados para o MDC, 94 para o Zanu-PF, 9 para um outro partido oposicionista e 1 independente, num total de 210 parlamentares.

Muitos consideram que Mugabe, de 84 anos, é diretamente responsável pela grave crise econômica do país, que já foi relativamente próspero.

Segundo o MDC, seu líder, Morgan Tsvangirai, recebeu 50,3 por cento dos votos, contra 43,8 por cento de Mugabe. Até agora não foram divulgados resultados oficiais. Mas tudo indica que Mugabe, herói da guerra da independência ainda muito respeitado em toda a África, está no pior momento de seu regime.

Tendai Biti, secretário-geral do MDC, disse que Tsvangirai conseguiu maioria absoluta, mas aceitaria disputar um segundo turno contra Mugabe 'sob protesto'.

Analistas dizem que o presidente seria humilhado num segundo turno, e que a derrota na eleição parlamentar já basta para reduzir o clientelismo, marca registrada do regime.

O ministro da Informação, Bright Matonga, disse à TV Sky que o governo 'não será pressionado a nada'.

(Reportagem adicional de Nelson Banya, Cris Chinaka, MacDonald Dzirutwe e Stella Mapenzauswa, e Muchena Zigomo, Kate Kelland, em Londres)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG