Presidente do Zimbábue ignora pressão por adiamento de eleições

Por Cris Chinaka HARARE (Reuters) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, desafiou nesta terça-feira a crescente pressão no país e do exterior para que adie o segundo turno da eleição presidencial, marcado para sexta-feira, dizendo ter a obrigação legal de realizar a votação.

Reuters |

Tanto o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, como o líder do partido governista sul-africano, o CNA, Jacob Zuma, disseram que o segundo turno tem de ser adiado, já que o líder oposicionista, Morgan Tsvangirai, abandonou a disputa e se refugiou na embaixada da Holanda em Harare.

O Conselho de Segurança da ONU tomou a decisão unânime e sem precedentes de condenar a violência contra os partidários de Tsvangirai. A medida teve o apoio da África do Sul, China e Rússia, países que anteriormente haviam bloqueado condenações como essas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos assinalou nesta terça-feira que a comunidade internacional rejeitará qualquer tentativa de Mugabe de se declarar presidente se ele decidir realizar a eleição.

'Se a eleição for realizada e Mugabe se declarar presidente novamente com base na votação, acho que isso será rejeitado uniformemente pela comunidade internacional', disse a jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado Tom Casey, num momento em que aumenta a pressão sobre Mugabe para adiar a eleição do dia 27.

Mas Mugabe fez pouco caso da pressão e disse que o mundo não poderá impedir o segundo turno.

'O Ocidente pode gritar o quanto quiser. As eleições seguirão em frente. Aqueles que querem reconhecer nossa legitimidade que o façam, os que não querem, não façam', disse Mugabe em um comício no oeste do país.

É cada vez maior a preocupação da comunidade internacional com os distúrbios políticos e a debilidade da economia do Zimbábue, que o Ocidente e a oposição atribuem a Mugabe, no poder ininterruptamente há 28 anos.

O presidente do Senegal disse em um comunicado que Tsvangirai buscou refúgio depois de receber a informação de que soldados se dirigiam para sua casa.

'Ele só está a salvo porque foi alertado por amigos. Ele saiu às pressas cinco minutos antes (da chegada dos soldados)', disse Abdoulaye Wade.

Mugabe negou que Tsvangirai estivesse correndo perigo.

'Tsvangirai está amedrontado. Ele correu para buscar refúgio na embaixada holandesa. Pra quê? Estes são eleitores que não vão fazer nenhum mal a você. Danos políticos, sim, porque eles vão votar contra você. Ninguém quer matar Tsvangirai.'

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