Presidente do Zimbábue e opositor assinam acordo para negociar

HARARE - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o principal líder oposicionista do país, Morgan Tsvangirai, assinaram, nesta segunda-feira, um acordo estipulando as regras para as discussões oficiais a serem realizadas com vistas a criar um governo compartilhado e, assim, colocar fim a uma profunda crise política.

Reuters |

Esse é o primeiro encontro dos últimos dez anos entre os dois adversários, que, dizem os boatos, se detestariam. Os dois sentaram-se a uma mesa de conferência separados pelo presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, o responsável por mediar o processo.

O acordo preliminar foi assinado no Rainbow Towers Hotel, em Harare, depois de semanas de um impasse surgido no dia 27 de junho, quando Mugabe reelegeu-se em um pleito condenado internacionalmente e boicotado por Tsvangirai devido a uma onda de violência que vitimou simpatizantes dele.

Segundo Mbeki, o acordo envolvia os dois lados em um intenso processo por meio do qual completariam as negociações o quanto antes. 'Todos os envolvidos reconhecem a urgência disso', afirmou.

Um Mugabe calado disse, depois da assinatura, que o acordo visava 'abrir um novo caminho de interação política'.

Tsvangirai descreveu a cerimônia como uma 'ocasião histórica' e ressaltou a importância de que seja encontrada uma solução para a crise atual.

'Se colocarmos nossas cabeças para trabalharem juntas, tenho certeza de que encontraremos uma solução. Na verdade, não temos a opção de não encontrar uma solução', afirmou.

Governo de unidade nacional

Autoridades dos dois lados disseram que o acordo fixa um prazo de duas semanas para que o governo e as duas facções pertencentes ao partido Movimento para a Mudança Democrática (MDC) discutam as questões centrais do processo, entre as quais a formação de um governo de unidade nacional e a realização de novas eleições.

Esse tipo de governo vem sendo defendido tanto pela União Africana (UA) quanto pela SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), ambas profundamente preocupadas com a crise econômica e política do Zimbábue, que já enviou a países vizinhos milhões de refugiados.

O MDC, de Tsvangirai, e o partido Zanu-PF, de Mugabe, também se comprometeram, por meio do acordo, a diminuir a tensão política, disseram autoridades.

Segundo um analista, ainda há muitas divergências entre o MDC e o Zanu-PF que precisam ser superadas.

'Isso representa um pequeno passo em termos do quadro mais amplo de avançar rumo às negociações', disse Mike Davies, analista do Grupo Eurásia.

'Ainda devemos nos deparar com amplas divergências entre a postura do MDC e a do Zanu-PF, divergências essas que precisam ser superadas a fim de que a crise encontre uma solução negociada. Algumas dessas divergências estão tão enraizadas que é difícil prever como poderiam ser resolvidas rapidamente', afirmou.

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