Presidente do Uruguai desiste de soltar repressores e ameniza críticas

Montevidéu, 13 abr (EFE).- O presidente do Uruguai, José Mujica, desistiu hoje do plano que pretendia dar prisão domiciliar a repressores maiores de 70 anos e, com isso, apaziguou as críticas geradas no bloco governista.

EFE |

O líder anunciou a decisão de renunciar ao plano durante uma reunião nesta terça-feira com os legisladores da Frente Ampla (FA, esquerda), a quem convocara para debater a relação do partido com as Forças Armadas.

Durante a reunião, o presidente conheceu as opiniões dos legisladores sobre o anunciado anteprojeto de lei que buscava dar prisão domiciliar a todos os presos maiores de 70 anos, sem importar os crimes que tenham cometido, com o objetivo de descongestionar as prisões uruguaias.

O deputado governista Aníbal Pereyra, líder da bancada do FA na Câmara, explicou à Agência Efe que o encontro foi positivo e que no final o presidente disse que a ideia era uma "filosofia pessoal" e que não pensava em impor uma decisão aos deputados.

A medida assim colocada favorecia a maior parte dos líderes da ditadura presos, entre eles o ex-general Gregorio Álvarez, ex-presidente condenado por violações dos direitos humanos.

Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, passou quase 15 anos recluso em quartéis e foi submetido à tortura antes e durante a ditadura militar (1973-1985).

A insistência de Mujica em impulsionar a medida gerou fortes críticas dentro da Frente Ampla, e perigava se tornar o primeiro grande obstáculo do presidente desde que assumiu o poder, em março.

A iniciativa, porém, ganhou elogios de todos os setores da oposição.

O diário opositor "El Observador" dedicou hoje um editorial ao assunto. Nele, destacou a "grandeza e a fidalguia" de Mujica e o considerou "um exemplo de humanidade e bom senso".

Segundo Aníbal Pereyra, na reunião Mujica disse que para inserir os militares de novo na sociedade é preciso deixar para trás "velhas feridas", que "não vão fechar", e olhar a situação a longo prazo.

Para o deputado, a virtude de Mujica ao lançar o debate, ainda que não tenha prosperado, foi ter convencido seus companheiros de que é preciso "tentar romper alguns esquemas culturais da esquerda" contra os militares e que tem que haver uma mudança na forma de se relacionar com eles.

Em 16 de março, duas semanas depois de ter assumido a Presidência, Mujica se reuniu com cerca de 300 chefes militares em um quartel e pediu, em tom conciliador, que trabalhassem conjuntamente para conseguir a união nacional.

Em seu discurso então, Mujica repetiu o lema de "nem vencedores nem vencidos", lançado após a vitória eleitoral de novembro passado, e ressaltou que "as Forças Armadas de hoje não devem carregar nenhum peso do passado perante o povo".

"A união nacional só é possível se praticada com um imenso respeito ao diverso, ao contraditório, porque em toda sociedade há diferenças de todo tipo", argumentou então o presidente, antes de reivindicar aos militares que fossem capazes "de gerar sentimento e afetividade no povo". EFE amr/rr

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