Presidente do Sudão diz aceitar independência do sul do país

Declaração foi feita antes de resultados oficiais indicarem que 98,83% dos eleitores votaram pela separação do território

iG São Paulo |

O presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, disse nesta segunda-feira que acatará a decisão de independência do sul do país. A afirmação foi feita horas antes da divulgação do resultado final do referendo sobre o tema, em que 98,83% dos eleitores votaram pela separação do território, anunciou o presidente da Comissão Eleitoral do Sudão, Mohammed Ibrahim Khalil.

AP
Membros de tribo comemoram abertura de usina elétrica na cidade de Kapoeta, no sul do Sudão (04/02/2011)
A votação de 9 de janeiro estava prevista em um acordo de 2005 que encerrou décadas de guerra civil entre o norte e o sul do país. "Hoje vamos anunciar diante do mundo todo nossa aceitação e respeito pela escolha do povo do sul", disse Bashir a seguidores em Cartum. "Os resultados finais do referendo são conhecidos, e são pela secessão. Vamos nos comprometer com o resultado final."

As declarações de Bashir devem aplacar temores de que o norte estaria relutante em permitir a independência do sul, uma região rica em petróleo.

A maior parte das reservas petrolíferas sudanesas fica no sul, mas a infraestrutura está no norte, o que obrigará a uma cooperação econômica entre os dois países e deve tornar um conflito armado prejudicial para ambos os lados.

Depois do anúncio oficial do resultado do referendo, governos de todo o mundo e entidades multilaterais como a União Africana e a ONU devem reconhecer a independência do sul do Sudão, que deve ser formalizada em 9 de julho.

Bashir deixou claro que ninguém terá dupla nacionalidade (do norte e do sul), apesar de esse princípio estar permitido na Constituição - o que mostra a relação desconfortável que os dois países terão após a separação.

Ainda há disputas bilaterais a respeito da demarcação da fronteira - área na qual há grandes reservas de petróleo -, de concessão de cidadania, de divisão dos preciosos recursos hídricos do Nilo e das reservas de petróleo, e da posse da região de Abyei, reivindicada por ambas as partes.

Arte/ iG
O Sudão, que pode vir a ser dois países, é o terceiro maior produtor de petróleo da África Subsaariana
*Com Reuters e EFE

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