Por Andrew Heavens CARTUM (Reuters) - O presidente do Sudão desafiou os apelos pela sua prisão por crimes de guerra neste sábado, defendendo a sua decisão de expulsar agências de ajuda humanitária. O presidente dançou em frente a uma multidão usando tradicional chapéu com penas.

Omar Hassan-Bashir discursou para um grande número de simpatizantes no quarto dia de manifestações após o Tribunal Penal Internacional de Haia (ICC, na sigla em inglês) ter expedido um mandado de prisão contra ele, acusando-o de comandar atrocidades cometidas em Darfur.

Bashir defendeu sua decisão de fechar 13 agências internacionais de ajuda e três agências locais afirmando que estes grupos passaram informação para os promotores do Tribunal Internacional. As agências de ajuda negam ter trabalhado junto com o Tribunal.

"As organizações humanitárias são ladrões," afirmou Bashir, referindo-se às agências de ajuda. "Eles pegam 99 por cento do dinheiro e só gastam 1 por cento no país."

O presidente do Sudão esbravejou contra os procedimentos legais que estão sendo tomados contra ele.

"Se eles querem nos combater, eles não deveriam aprovar resoluções no Conselho de Segurança da ONU ou no Tribunal Internacional. Eles deveriam vir e lutar cara a cara com a gente."

O porta-voz do Movimento pela Liberação do Povo do Sudão (SPLM- sigla em inglês), Yien Matthew, disse a Reuters que a expulsão das agências de ajuda humanitária poderá ter um impacto devastador em dezenas de milhares de desalojados de Darfur.

"Os desalojados de Darfur dependem dessas agências humanitárias. Pode ser catastrófico... Esperamos que eles mudem de ideia", disse.

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