Por Khaled Abdelaziz CARTUM (Reuters) - O presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, ameaçou na segunda-feira expulsar os monitores eleitorais estrangeiros do país, depois de estes declararem que a eleição de abril poderia ter de ser adiada.

"Trouxemos estas organizações do exterior para monitorar as eleições, mas se elas pedirem para que sejam adiadas vamos mandá-las embora", disse Bashir em declarações transmitidas pela TV estatal.

"Queríamos que elas vissem as eleições livres e limpas, mas se (os monitores) interferirem nos nossos assuntos vamos cortar os dedos deles, vamos colocá-los sob nossos sapatos, e vamos mandá-los embora."

A única missão internacional permanente de observação eleitoral no Sudão disse na semana passada que a primeira eleição multipartidária no país em 24 anos pode ter um pequeno adiamento por causa de problemas logísticos, já que, a poucas semanas do pleito, centenas de milhares de nomes de eleitores continuam ausentes das listas.

Funcionários do Centro Carter divulgaram um relatório dizendo que a eleição presidencial e parlamentar de abril continua "sob risco em múltiplas frentes", e que o Sudão deveria suspender restrições a comícios e acabar com a luta armada em Darfur antes da eleição.

O Centro Carter disse que só faria comentários sobre as declarações de Bashir após analisá-las.

Bashir já expulsou grandes agências humanitárias de Darfur depois que o Tribunal Penal Internacional emitiu em março de 2009 um mandado de prisão contra ele por causa de crimes de guerra em Darfur.

(Reportagem adicional de Opheera McDoom)

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