Dublin, 23 mar (EFE).- Gerry Adams, presidente do Sinn Féin - braço político do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA) -, defendeu hoje a libertação de 11 detidos que estariam relacionados a grupos dissidentes, se a Polícia não apresentar acusações.

"Por enquanto, há um número de pessoas que se encontram retidas por um período de tempo que excede o respeito a seus direitos humanos. Isto é inaceitável. Devem ser colocados em liberdade ou apresentar acusações", ressaltou.

Os suspeitos, entre eles uma mulher e um menor de 17 anos, continuam sendo interrogados pela Polícia norte-irlandesa (PSNI) há duas semanas em relação ao assassinato de dois soldados britânicos em 7 de março e de um agente da ordem dois dias depois.

A primeira ação terrorista foi reivindicada pelo IRA Autêntico, responsável pelo atentado de Omagh (1998), e a segunda pelo IRA de Continuidade, cisões do IRA que se opõem ao processo de paz na Irlanda do Norte.

Dois deles, o menor e um homem de 37 anos, permanecem detidos pela morte do policial Stephen Carroll desde 10 de março, o período mais longo desde a abolição da política de internamento sem julgamento de suspeitos introduzida na província no início do conflito, nos anos 70.

"Se há provas contra alguém, essa pessoa deve ser acusada e as evidências apresentadas perante a Justiça", insistiu Adams, que lembrou que todo cidadão, "independente do que tenha feito", tem certos direitos.

Segundo a legislação vigente, os detidos podem permanecer sob custódia policial durante 48 horas, mas o período de detenção pode sere estendido até mais 28 dias com a obtenção de sucessivas permissões judiciais.

Sobre isso, um porta-voz da PSNI indicou hoje que o "serviço de Polícia não faz as leis", mas apenas as aplica.

"Quando investigamos qualquer crime usamos todos os instrumentos legais que temos a nossa disposição para levar os responsáveis aos tribunais. Fazemos isso de acordo com a legislação europeia sobre direitos humanos", acrescentou o porta-voz. EFE ja/an

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