Presidente do Quirguistão impõe condições para renunciar

Por Dmitry Solovyov TEYYIT, Quirguistão (Reuters) - O presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, disse nesta terça-feira que pode renunciar se o governo interino garantir sua segurança e acalmou a confusão que tomou conta do país desde que começou a revolta contra seu mandato de cinco anos.

Reuters |

Oferecendo pela primeira vez a possibilidade de abrir mão do poder, Bakiyev impôs diversas condições para a sua renúncia, mudando radicalmente o tom, o que poderá levar a uma solução do impasse com o novo governo autoproclamado, que controla o Quirguistão.

Quando repórteres lhe perguntaram quais seriam suas condições para renunciar, Bakiyev disse: "Primeiramente se houver garantias que essas pessoas armadas deixarão de vagar pelo Quirguistão e que essa redistribuição de bens e que essa luta armada acabem".

"Segundo, se a minha segurança pessoal e a da minha família e parentes esteja garantida", disse Bakyiev aos repórteres, do lado de fora da sua tenda yurt, na sua cidade natal.

"Também é preciso que eles comecem a preparar uma rápida eleição presidencial para os próximos dois ou três meses."

Ao oferecer a perspectiva da sua renúncia, Bakiyev pode abrir caminho para pôr fim aos tumultos.

O governo autoproclamado disse que a Rússia é um aliado importante e alguns ministros-chave disseram que o contrato da base aérea norte-americana no Quirguistão, tema de objeções por parte dos russos, poderá ser encurtado. A base é usada para abastecer as operações militares do EUA no Afeganistão.

SEGURANÇA

Desde que fugiu da capital, depois que soldados atiraram em manifestantes durante uma revolta no dia 7 de abril que levou seus oponentes ao poder, Bakiyev havia alertado sobre a possibilidade de um banho de sangue, recusou-se a renunciar e tentou reunir simpatizantes na sua fortaleza no sul do país.

Ele chamou a líder do governo interino, Roza Otunbayeva, para participar de conversações em Jalalabad, porque disse que o governo não podia garantir sua segurança em Bishkek.

"Posso garantir total segurança aqui, enquanto eles não podem me dar nenhuma garantia", disse o presidente, parecendo cansado. "Por quê eu deveria ir até lá, especialmente se eles não podem garantir a minha segurança?"

O governo interino também disse que está pronto para negociar.

"Nossos representantes estão lá com Bakiyev. Ele mesmo deve dizer quando e de que forma (as conversações devem começar)", disse Azimbek Beknazarov, vice-primeiro ministro interino responsável pela segurança, à Reuters.

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