O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, disse nesta terça-feira que está disposto a renunciar se o governo interino garantir a sua segurança e a de sua família e der fim ao derramamento de sangue no país. As condições foram colocadas em declarações que ele deu em uma coletiva na cidade de Jalalabad, no oeste do país centro-asiático, onde permanece desde que foi afastado do poder em violentos protestos na semana passada.

Ainda nesta terça-feira, líderes do governo interino retiraram a imunidade presidencial de Bakiyev e disseram que iriam prendê-lo se ele se recusasse a renunciar.

Em declarações anteriores, Bakiyev havia insistido que continuava a ser o líder legítimo do Quirguistão.

Eleições
Na coletiva, ele disse também que o governo interino tem que "começar a preparar uma eleição presidencial para ser realizada dentro de dois ou três meses".

Bakiyev afirmou ainda que está disposto a conversar com a líder interina, Roza Otunbayeva, se ela for até o sul do país para encontrá-lo.

Segundo ele, não segurança para ele viajar até a capital, Bishkek.

Entretanto, um representante do governo interino disse, de acordo com a agência de notícias russa Interfax, que Otunbayeva não tem a intenção de realizar negociações diretas com Bakiyev.

"Nossa posição é simples - reconhecer a renúncia e nada mais, e que ele (Bakiyev) permaneça sendo o presidente de seu próprio quintal", disse Edil Baysalov, chefe de gabinete interino.

Bakiyev também voltou a pedir uma investigação internacional sobre os violentos protestos que ocorreram na última quarta-feira e que resultaram na morte de mais de 80 pessoas.

As manifestações em várias cidades foram o ápice de semanas de descontentamento público gerado pela inflação e por acusações de corrupção no governo do Quirguistão.

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