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Presidente do Peru vê guerra fria na América do Sul

Por Marco Aquino e Terry Wade LIMA (Reuters) - A América do Sul vive uma espécie de guerra fria opondo países com modelos estatais fechados aos que buscam investimento e abertura comercial, disse na sexta-feira o presidente peruano, Alan García, durante o Reuters Latin America Investment Summit.

Reuters |

Ele acha, porém, que em alguns anos vai prevalecer o modelo de mercado aberto ao mundo, depois 'dos últimos estertores do estatismo'.

'A América do Sul parece que se transferiu para uma espécie de guerra fria, assim como a que opôs os grandes blocos ideológicos no século 20. Temos países que irão em direção ao Pacífico, que olham para o investimento [...], e há outros países que preferem seu mercado interno, que preferem fechar suas fronteiras', disse.

Na região, governos de esquerda como o do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e seus aliados políticos, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa, contrastam com os dirigentes do Peru, Chile e Colômbia, que adotaram políticas econômicas de abertura comercial para o mundo.

O Peru já tem um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos, assim como Chile e México, e a Colômbia espera que o Congresso dos EUA o aprove.

García, que diz liderar uma 'democracia moderna' em seu país, qualificou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como um grupo 'terrorista' e não insurgente, como prefere o venezuelano Chávez.

'Aqui (no Peru) sofremos esse tipo de terrorismo, que põe bombas, que rapta pessoas, que bloqueia um país por completo', disse García, comparando implicitamente as Farc aos grupos esquerdistas peruanos Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru, protagonistas de um conflito com o governo, que deixou 69 mil mortos e desaparecidos nas décadas de 1980 e 90, segundo dados oficiais.

García também citou o caso da ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt, gravemente doente após seis anos em cativeiros das Farc.

'Suponho que as Farc estejam administrando diabolicamente, não a vida de Betancourt, mas talvez (esperem que), com sua morte, façam mal ao presidente (colombiano, Álvaro) Uribe. Isso para mim é claríssimo', disse García.

'O que estão fazendo é simplesmente administrar o tempo para ver em que momento se produz a morte da senhora Betancourt, e então jogarão a culpa em Uribe.'

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