Presidente do Peru defende renúncia de vice acusado de corrupção

Omar Chehade é acusado de pedir ajuda a general para desalojar trabalhadores de cooperativa que pode ser comprada por seu irmão

iG São Paulo |

Reuters
O presidente do Peru, Ollanta Humala, faz pronunciamento na TV (06/11)
O presidente do Peru, Ollanta Humala, disse no domingo que seu vice, Omar Chehade, deveria renunciar por causa das denúncias de corrupção que enfrenta, mas que ele próprio aguardará a conclusão dos inquéritos antes de tomar qualquer decisão.

Chehade, um dos dois vice-presidentes peruanos, foi acusado de pedir ajuda a um general da força policial para desalojar trabalhadores de uma cooperativa canavieira em cuja aquisição um irmão dele estava interessado.

Em pronunciamento pela TV para fazer um balanço dos primeiros cem dias de mandato, Humala disse: "Deixaremos que a comissão de ética do Congresso resolva isso. Pessoalmente, acho que seria bom para ele renunciar, mas isso deve partir dele. Acho que fazer isso permitiria que ele se defendesse melhor, não só diante do Congresso, mas também do procurador-geral."

O procurador-geral e o Congresso estão investigando as denúncias. Chehade nega envolvimento em quaisquer irregularidades e diz que as acusações são uma tentativa de vingança do general Guillermo Arteta, que foi reformado em outubro junto com outros 29 generais da polícia como parte de uma operação do governo para eliminar a corrupção.

Parlamentares fizeram coro com o presidente e disseram que Chedade deve renunciar o mais rápido possível. "Acho que, para resolver essa crise, ele precisa renunciar. A posição dele tornou-se insustentável e, a cada hora que passa, ele parece um rebelde", disse o parlamentar de oposição e ex-primeiro-ministro Javier Velasquez Quesquen à Reuters.

Como a Constituição peruana permite que Humala tenha dois vices, a saída de Chehade não afetaria a estabilidade institucional. "A renúncia dele resolveria uma crise política, ao invés de criar uma", afirmou Quesquen.

Ele afirmou que a crise, que já dura três semanas, paralisou a agenda de bem-estar social de Humala, mesmo que no sábado o presidente tenha lançado um programa que dá aos idosos uma pensão mínima mensal.

Fredy Otarola, líder do Partido Gana Peru, de Humala, no Congresso, disse que o escândalo envolvendo Chehade afetou a reputação do governo porque em sua campanha Humala prometeu combater a corrupção.

Diversos analistas também assinalam que o caso coloca em risco o prestígio de Humala em um tema tão sensível quanto a luta contra a corrupção. "O presidente vai ter que atuar. Esta é a primeira grande prova, o primeiro grande teste de Humala no tema da corrupção", comentou o analista político Aldo Panfichi à AFP.

Com Reuters e AFP

    Leia tudo sobre: peruhumalacorrupçãoomar chehade

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG