Brasília, 7 ago (EFE).- O presidente do Parlamento do Mercosul, o deputado federal Dr.

Rosinha (PT-PR), reiterou hoje o apoio desta entidade ao referendo revogatório de domingo na Bolívia e defendeu que o processo seja realizado com a "paz desejada".

Dr. Rosinha confirmou à Agência Efe que chegará amanhã a La Paz como membro do grupo designado pelo Parlamento do Mercosul para atuar como observador da consulta popular, na qual estará em jogo o mandato do presidente boliviano, Evo Morales.

Nos últimos dias, foram registrados focos de violência em várias regiões da Bolívia, que inclusive levaram ao cancelamento da visita dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, ao departamento de Tarija.

Apesar disto, Dr. Rosinha acredita que o processo "será realizado com a paz desejada".

O envio de observadores do Mercosul foi solicitado por Morales durante a última cúpula do bloco, realizada em julho na cidade de Tucumán (Argentina).

Dr. Rosinha também disse à Efe que a atividade da parlamentar uruguaia Adriana Peña na Venezuela é "pessoal", por isto o organismo não tem "nenhuma posição" a respeito.

"Como cidadã pode viajar para onde quiser e se apresentar como membro do Parlamento do Mercosul, mas sem falar em seu nome" e até agora não fez isto, afirmou Dr. Rosinha sobre as atividades de Peña, que preside a Comissão de Direitos Humanos do Parlamento do Mercosul.

Peña, deputada do Partido Nacional (Blanco), viajou para Caracas para investigar as improbidades administrativas de funcionários e ex-funcionários venezuelanos acusados de corrupção, aos quais foi negada a possibilidade de concorrer a cargos públicos nas eleições regionais de novembro.

O Governo venezuelano considerou que a atuação de Peña é uma intromissão em assuntos internos e o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, deu a entender que a parlamentar uruguaia pode ser expulsa do país caso se intrometa.

Além disso, o primeiro vice-presidente da Assembléia Nacional venezuelana, Saúl Ortega, anunciou que pedirá ao Parlamento do Mercosul para punir a deputada.

Segundo o Dr. Rosinha, o Parlamento do Mercosul precisa de um regime disciplinar, por isto não poderia aplicar nenhuma sanção.

"O código de ética do Parlamento ainda não foi elaborado, não há como sancionar ninguém", declarou à Efe.

Sobre a possibilidade de uma expulsão de Peña da Venezuela, Dr.

Rosinha disse que "seria um problema nacional, não do Parlamento do Mercosul", mas admitiu que, neste caso, a entidade regional "poderia se manifestar".

No entanto, esclareceu que, "como ela não foi expulsa, não há nada a dizer".

A Venezuela está em processo de adesão ao bloco integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e por isto conta com representantes no Parlamento do Mersosul, que tem sua sede em Montevidéu e que foi formalmente constituído em 6 de dezembro de 2006. EFE ed/wr/fal

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