Presidente do Parlamento do Irã critica declarações de Obama sobre tema nuclear

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, criticou neste sábado as declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que qualificou sexta-feira de inaceitável a fabricação por Teerã de armas nucleares, informou a agência oficial Irna.

AFP |

Questionado sobre as declarações de Obama referentes ao caso nuclear, Larijani declarou: "Isso significa insistir no mesmo caminho errôneo". "Se os Estados Unidos querem mudar sua situação na região, eles precisam enviar os sinais certos", prosseguiu.

"Obama entende que a mudança não significa apenas mudar a cor e trazer mudanças superficiais. A mudança tem que ter uma base estratégica", acrescentou Larijani.

"Penso que a fabricação pelo Irã de armas nucleares é algo inaceitável. Precisamos organizar um esforço internacional para impedir que isso aconteça", disse Obama sexta-feira em Chicago, em sua primeira entrevista coletiva desde sua eleição, na terça-feira.

Estas críticas acontecem depois que Teerã eria reagido de maneira positiva à vitória do candidato democrata nas eleições presidenciais americanas.

Na quinta-feira, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, chegou a parabenizou Obama por sua eleição, em um gesto de cordialidade raro entre os dois países inimigos.

"Quero parabenizá-lo por ter conseguido reunir uma maioria de votos durante a eleição", declarou Ahmadinejad em uma mensagem publicada pela Irna.

Esta mensagem foi divulgada num momento em que os dois países não mantêm relações diplomáticas há quase 30 anos.

Dois jornais conservadores iranianos, por outro lado, também criticaram a nova equipe de Obama.

"Os homens de Obama são partidários de Israel", é a manchete deste sábado do jornal Kayhan, que afirma que Rahm Emanuel, escolhido como secretário de gabinete do presidente eleito, é filho de um ex-dirigente da organização terrorista sionista Irgun.

Por sua parte, o também conservador Jomhuri Eslami intitulou: "Luz verde de Obama para o regime sionista".

Segundo a agência Irna, Larijani considerou que, devido à existência de múltiplos centros de decisão nos Estados Unidos, o país não mudará facilmente de política.

"Os dirigentes iranianos optaram por prosseguir com o programa nuclear depois de ter calculado os riscos e sabendo que havia pressões", afirmou presidente do parlamento, acrescentando que essa decisão "era necessária para o futuro do Irã".

Os Estados Unidos e os países ocidentais suspeitam que o Irã pretende fabricar armas atômicas utilizando como cobertura seu programa nuclear civil, o que Teerã sempre desmentiu.

Durante sua coletiva, Obama também pediu ao Irã que deixe de apoiar organizações terroristas.

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